quarta-feira, 7 de maio de 2008

May 7, 2008 Stock Market Recap

May 7, 2008 Stock Market Recap

The sellers stepped their game up today and wiped out most of last Thursday’s gains. Yesterday I was surprised that stocks traded opposite the dollar. That dynamic continued today and oil traded up along with the dollar. I’m not sure what to make of that but it is a notable change of character. What I do know is that the indices are heading for some important support levels.

The Dow dove 1.6% after toying with its 200-day moving average for the fourth session in a row. 12,850 looks like an important level because the March trendline crosses February support/resistance in that area.

The Nasdaq is also closing in on its February high, which should be support.

The S&P actually slipped back below its February high today but it’s still above the upward sloping March trendline.

Trend Table

All the short-term trends flipped to down today.

TrendNasdaqS&P 500Russell 2000
PrimaryDownDownDown
IntermediateUpUpUp
Short-termDown(-)Down(-)Down(-)

(+) Indicates an upward reclassification today
(-) Indicates a downward reclassification today
Lat Indicates a Lateral trend

*** I’m simply using the indices’ relations to their 200, 50 and 10-day moving averages to tell me the long, intermediate and short-term trends, respectively.

Post from: Trader Mike's Blog

May 7, 2008 Stock Market Recap

O Brasil é grau de investimento

JORNALISMO ECONÔMICO
Alegria: o Brasil é grau de investimento

Por Rolf Kuntz em 6/5/2008

A imprensa entusiasmou-se quase tanto quanto o governo com a elevação do Brasil ao grau de investimento, anunciada na última quarta-feira de abril (30/4) pela agência de classificação Standard & Poor’s. A notícia foi manchete dos principais jornais na quinta-feira. Alguns limitaram-se a informar, no título, a nova classificação conferida ao país. Outros foram além e reproduziram a opinião da agência: o Brasil, proclamaram, tornou-se local seguro ou mais seguro para os investidores. Todos mencionaram, ainda na primeira página, o entusiasmo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus ministros e a reação na bolsa de valores, com alta de 6,23% do Ibovespa, a maior em seis anos.

Tudo bem, a notícia era realmente importante e os editores tinham uma boa razão para dedicar muito espaço ao material. Por muito menos se enchem, às vezes, páginas e páginas dos cadernos de economia. Tudo bem, igualmente, com a reprodução das falas entusiasmadas do presidente Lula, do ministro da Fazenda, Guido Mantega, do presidente do Banco Central, Henrique Merelles, e de um monte de economistas, operadores do setor financeiro e empresários privados. Um pouco mais de perspectiva, porém, não atrapalharia a cobertura nem depreciaria indevidamente a nova classificação do país.

Em primeiro lugar, valeria a pena um pouco mais de atenção ao texto distribuído pela Standard & Poor’s. Em duas páginas e meia, os economistas da agência explicaram seus critérios e mostraram por que decidiram elevar a classificação do Brasil. Mas não ficaram nisso. A primeira página contém uma lista de três fatores positivos e três negativos para o julgamento dos investidores. Os três primeiros pesaram mais na decisão, obviamente, mas os negativos são importantes e podem determinar, mais tarde, um rebaixamento do Brasil.

Ritmo de crescimento insustentável

Só alguns jornais mencionaram os dois conjuntos de fatores e deram mais destaque aos positivos, como a continuidade das políticas fiscal e monetária, a contenção da inflação e a melhora dos indicadores de endividamento. Até aí, tudo OK, mas os pontos negativos aparecem duas vezes no relatório. Na primeira são indicados sinteticamente: 1) grande endividamento público e pesada carga de juros; 2) rigidez orçamentária e gasto corrente elevado; 3) obstáculos estruturais ao investimento e a um crescimento econômico mais em linha com o dos outros países emergentes.

Esses pontos são retomados no final do relatório, de modo mais extenso, acompanhados de uma série de recomendações. É preciso elevar a taxa de investimento, reduzir o custo Brasil, simplificar o regime tributário, baixar tarifas de importação e facilitar a participação privada no setor de energia e noutras áreas da infra-estrutura. Os avanços conseguidos até agora, segundo a Standard & Poor’s, são suficientes para um crescimento sustentável de 4% a 4,5% ao ano. Para mais que isso, são necessárias aquelas outras inovações.

Nenhum jornal destacou esse detalhe na parte informativa. Ao indicar um limite para o crescimento sustentável da economia brasileira nas atuais condições, a agência contrariou uma opinião sustentada com muito empenho por muita gente do governo federal e por alguns economistas de renome. Em outras palavras: a Standard & Poor’s, ao atribuir ao Brasil o grau de investimento, reconheceu avanços ocorridos nos últimos anos, mas ainda considera o país incapaz de sustentar o ritmo de crescimento dado como realizável pelo governo.

Tendências preocupantes

Os editores talvez valorizassem mais esse detalhe se não esquecessem, ao tratar da boa nova, duas das notícias mais importantes da semana: a deterioração das contas externas e as pressões inflacionárias apontadas pelo IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) de abril.

O IGP-M desmente a idéia de pressões limitadas ao setor agrícola – ao "feijãozinho", como disse o ministro da Fazenda. As matérias-primas industriais também pressionam fortemente os custos. Quanto às contas externas, em apenas um trimestre o país acumulou um déficit de US$ 10,7 bilhões em transações correntes, quase todo o valor previsto pelo BC para 2008: US$ 12 bilhões. Os dados da inflação e das contas externas estão longe de ser catastróficos, mas indicam tendências preocupantes. Como esquecer esses dados, ao noticiar o primeiro grau de investimento concedido ao Brasil?

Começou a corrida atrás da Nuvem Informativa

Começou a corrida atrás da Nuvem Informativa
Postado por Carlos Castilho em 4/5/2008 às 10:16:31 PM





As empresas Google e IBM anunciaram a primeira grande ofensiva para controlar o que os especialistas chamam de nova fronteira da era digital, ou em termos técnicos, a Nuvem Informativa (Information Cloud).

Não é ficção científica não. É a mais pura realidade tecnológica que está deixando os laboratórios de pesquisa para ingressar no universo corporativo e pode pousar em breve nos computadores domésticos.

O conceito de nuvem surgiu nos anos 70 quando os cientistas perceberam que o desenvolvimento da internet e das redes de comunicação acabaria criando um espaço virtual sem dono e sem fronteiras onde circulariam softwares e informações que poderiam ser acessadas por qualquer usuário.

A primeira grande aposta corporativa no conceito de nuvem foi feita pela empresa Google que começou a desenvolver, em 2002, softwares de edição de textos, planilhas eletrônicas, correio eletrônico e agendas que não seriam baixados em computadores como acontece com os programas Word, Excel e o OutLook, da Microsoft, por exemplo.

Os programas colocados na nuvem computacional são grátis e capazes de serem acessados em qualquer lugar. Daí para o surgimento do conceito de nuvem informativa foi um passo. Informação disponível na rede, capaz de ser acessada em qualquer lugar e potencialmente livre de qualquer direito de propriedade.

Cientistas alemães começaram a estudar as conseqüências sociais e culturais da nuvem informativa ao desenvolver o modelo iClouds, que faz parte do projeto MUNDO (Móbile and Ubiquous Networking via Distributed Overlays – Rede Móvel e Ubíqua por meio de Camadas Distributivas).

A arquitetura informativa em nuvem explora as relações que as pessoas poderão estabelecer a partir do uso de sistemas pessoais de comunicação, chamados iClouds, muito semelhantes aos telefones celulares. O estudo feito na Universidade Tecnológica de Darmstadt, na Alemanha, afirma que estes aparelhos de comunicação pessoal dispensam o controle centralizado dos celulares e não dependem da internet.

A mais revolucionária de todas as idéias desenvolvidas pelo projeto Mundo é a de que a capacidade informativa de cada indivíduo cresce proporcionalmente ao número de pessoas ingressam na área de alcance do seu aparelhinho. Isto pode significar um novo e radical avanço na descentralização no fluxo de noticias, por exemplo.

O projeto Mundo ainda é um estudo inconcluso, mas a IBM e Google apostam juntas na idéia da nuvem e decidiram ocupar espaços estratégicos no ambiente virtual. O que as duas mega empresas estão costurando é uma rede planetária de computadores, do tipo servidor, capazes de rodar 90% dos aplicativos usualmente residentes no disco duro dos computadores.

Os usuários acessarão os aplicativos, realizarão todas as suas tarefas online e guardarão o material em arquivos digitais também na Web. Será um passo gigantesco no sentido da implantação do modelo tudo é de todos e ninguém é de ninguém. Ou seja, a utopia socialista materializada na Web, pela mão de dois ícones do capitalismo mundial.

Ainda é muito cedo para saber se isto vai dar certo ou não. As coisas na internet são essencialmente fluidas e não dá para afirmar nada em caráter definitivo. Mas a corrida pela nuvem já começou nos bastidores da internet.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Turn Your Point-and-Shoot into a Super-Camera

Camera Hacks

Turn Your Point-and-Shoot into a Super-Camera


If you're using a consumer grade point-and-shoot Canon digital camera, you've got hardware in hand that can support advanced features way beyond what shipped in the box. With the help of a free, open source project called CHDK, you can get features like RAW shooting mode, live RGB histograms, motion-detection, time-lapse, and even games on your existing camera. Let's transform your point-and-shoot into a super camera just by adding a little special sauce to its firmware.

What is CHDK?

The Canon Hacker's Development Kit, aka CHDK, is a firmware enhancement that supports an impressive array of Canon digital cameras. I emphasize the enhancement aspect of CHDK because the tool is non-permanent and non-destructive, meaning that you load it onto your camera whenever you want to use it; CHDK makes no changes to your camera, and turning it off is simply a matter of restarting your camera. Installing CHDK involves copying a couple of files onto your camera's memory card; permanently removing it from your camera entails deleting those files. It's simple and powerful (sort of like hacking your router firmware) but even easier.

What Can CHDK Do For Me?

Now that you're convinced that CHDK is easy to install and use, let's consider what makes it worth doing so. From the CHDK wiki: (Pictures below of CHDK in action also from the CHDK wiki, since I have only one camera and it's the one running CHDK.)
  • histogram-example.pngEnhanced Image Capture: CHDK supports RAW format for pictures (in addition to JPEG), longer recording time and length for videos (up to 1 hour or 2GBs), and several new compression options.
  • Additional Information On-Screen: With CHDK, you can customize your on-screen display to your heart's content, including worthwhile information like remaining battery life, histogram, depth of focus, and more.
  • Additional Photographic Settings: CHDK takes many of the features already available on your camera and gives you way more options, including longer exposure times (up to 65 seconds), faster shutter speeds (1/25,000 sec or faster), automatic bracketing of your photos, and more.
  • chdk-userscripts.pngSupport for Small Programs/Scripts: CHDK can run small scripts that will allow your camera to perform a set of actions based on the conditions of the script. Tons of scripts are available, and they provide functionality like motion-sensing photography (which reportedly works for lightning strikes) and unlimited interval time-lapse photography (see video below).

Even better, CHDK is being actively developed, which means that new features are always on the horizon. There are actually several versions of CHDK in development, but the version we're going to focus on is called the Allbest build—a build that incorporates many of the best features available in other builds (get it?).

What You'll Need

To use CHDK, all you need is a supported Canon digital camera and an SD memory card. If you've already got a supported camera then it only follows that you've got the memory card, so you're already well on your way.

Install CHDK

Even if your camera is listed as supported, you must know your camera's firmware version before you're ready to install CHDK. Here's how.

save-ver.req.png

Determine Your Firmware's Version Number:

In order to determine your camera's firmware version, you need to create an empty file on your computer called ver.req (not ver.req.txt), and copy this file to the root directory of your SD card. On Windows, for example, you could right-click your desktop, select New -> Text File, and then rename the untitled.txt file to ver.req. (Windows Explorer should be set to show extensions.) Alternately you could create an empty text file in Notepad, click File -> Save as, name the file ver.req, and save it as type All files.

If your digital camera supports disk mode (i.e., if it shows up on your computer with a drive letter or as a mounted drive), all you need to do is create the empty ver.req file and copy it over to the very first level of the drive. If your camera does not support disk mode, your best bet is to stick your SD card in a reader and then copy ver.req to the card. Finally, if your camera doesn't work in disk mode and you don't have an SD card reader, a program called the uploader is available. (Search for it on the linked page.) This program is supposed to address this problem. (I haven't tested it, but it's supposed to upload files to cameras that do not appear as a disk.)

After you've copied the ver.req file to your camera, determining your firmware version is simple. Just turn your camera on (in review mode, not in camera mode), press and hold Function/Set (FUNC. SET on my camera), then press and hold the Display (DISP) button. Your camera should flash information on the screen, including text that looks something like this:

Firmware Ver GM1.01B

The 1.01B part is your firmware version.

Download and Install the Appropriate CHDK Files:

Now that you've got your camera's firmware version, you're ready to see if it can run CHDK and then go ahead with the installation. If you want to go with the Allbest build on your camera, head to the download page and find the build that matches both your camera and your firmware version. For example, my camera is a Canon SD1000, firmware version 1.01B, so the file zip file of Allbest I download looks like this:

allbest-ixus70_sd1000-101b-50.zip

You may also want to check out the firmware comparisons page to see which CHDK builds will support your camera's firmware version. If your camera is supported but your current firmware is not, you can download an official firmware update from Canon so that you're using one that is.

chdk-files.pngOnce you've downloaded the proper build, you'll unzip a folder containing at least two files—one called BOOTDISK.BIN and another called PS.FIR. All you have to do now is copy those to files to the root of your camera's SD card, again either by dragging them to the top level of your camera in disk mode, through a card reader, or using a program like the uploader mentioned above (though there are special steps for Mac users).

Now that you've installed CHDK, all that's left is to fire it up and try it out. As I said, CHDK is non-destructive to your current firmware, so if you just turn on your camera you won't notice anything different. You have to run CHDK each time you want to use it. Here's how:

Run CHDK on Your Camera

chdk-splash.pngAgain, turn your camera on in review mode. Now hit the Menu button and head all the way to the bottom of the menu options, where you should now find a Firm Update... option (if this isn't there, either CHDK isn't correctly installed or you didn't start in review mode). Hit SET on Firm Update and you'll be asked to confirm a firmware update. Select OK and your camera will load CHDK, you'll see a splash screen telling you that you're using CHDK, and then you'll likely see a few more bits of info on your onscreen display.

You're now running CHDK.

How to Use CHDK

reset-main-menu.pngBefore you start using CHDK's many features, you'll need to understand the new key settings and shortcuts for operating with CHDK. The important thing to know is that even with CHDK running, your camera works the same as always under normal conditions. Your buttons do the same thing as always, with the exception of one—either the direct print button or the user selectable button. This will put your camera into what the CHDK documentation refers to as ALT mode. When you're in ALT mode, your camera's keys take on new meaning. Here's a rundown of the most important (you can see more on the CHDK wiki):
  • Toggle RAW: ALT mode + (+/-) key for A-series cameras; ALT mode + FUNC for S-series; ALT mode + ERASE for G-series
  • Open Main Menu: ALT mode + MENU
  • Toggle Histogram: ALT mode, then Half-press shutter + Up
  • Toggle CHDK On-Screen Display: ALT mode, then half-press shutter + Right
I found that some of the shortcuts listed were hit-or-miss—for example, on my S-series camera ALT mode + DISP toggled RAW mode. The most important thing to know is that pressing MENU in ALT mode brings up the alternate CHDK menu rather than your camera's default menu. From there, you can adjust virtually any of CHDK's settings.

reversi.pngThe best way to get to know CHDK is to play around with the menu to get a feel for what it has to offer. (Be sure to check out Games under Miscellaneous stuff for a quick round of Reversi.) If you've never used some of the more advanced functionality on other cameras, it may seem daunting at first, but with a little effort you'll likely learn to love your camera's new features. And don't worry, if you ever tweak CHDK to a point that you're not happy with it but you don't know how to undo what you've done, you can just reset all of the options. If CHDK ever freezes and you can't turn it off, just pop out your camera's batteries and restart. Everything will be back to normal.

Extra Scripts and Other Goodies

Now that you're running CHDK, you may want to test out its scripting capabilities. As I mentioned, CHDK runs scripts written in a shorthand version of BASIC called UBASIC. If you're interested in coding scripts, you can get started here and here. Most of us, however, just want to use scripts.

To do so, first you need to find and download a script. There are tons of user submitted scripts to choose from, so just find one you like—such as a motion detection, unlimited interval shooting, or high-speed shutter and flash sync script—and download it to your computer. Installing the script for CHDK to use is a simple matter of moving it to your SD card in the CHDK/SCRIPTS/ folder.

To activate a script, open the Script menu (ALT mode + FUNC on my camera), navigate to the scripts folder, and select the script. To execute the script (i.e., to run it), just press the Shutter in ALT mode.

Automatically Running CHDK

Once you've gotten comfortable with CHDK, you may want it to load automatically whenever you turn on your camera. The CHDK wiki explains how.

I'm new to CHDK, so if you've been playing around with it since we first posted about it or longer, share your experience in the comments.

Adam Pash is a senior editor for Lifehacker who enjoys a good firmware upgrade, from hacking routers to digital cameras. His special feature Hack Attack appears every Tuesday on Lifehacker. Subscribe to the Hack Attack RSS feed to get new installments in your newsreader.

Inflação e Selic

25/04/2008 15:20:13
Delfim Netto

Desde 2002, há um movimento de alta de preços no mundo, produzido basicamente por seis fatores: 1. Expansão da economia mundial, que passou de um crescimento de 3,2% entre 1998 e 2002 para 4,6% de 2003 a 2007. 2. Fantástico déficit em conta corrente dos Estados Unidos, que subiu de 213,5 bilhões de dólares (ou 2,44% do PIB), em 1998, para 738,6 bilhões de dólares (ou 5,3% do PIB) em 2007. 3. Desvalorização do dólar no mercado internacional (sem ser acompanhada por uma inflação interna nos EUA) da ordem de 40% entre 2002 e 2008. 4. Como o dólar é a unidade de conta do mercado internacional, a desvalorização estimulou importante aumento dos preços (nominais em dólares) das commodities. 5. Déficit comercial e política estratégica dos EUA para conter a União Soviética no período da Guerra Fria, que foram absolutamente instrumentais para a expansão econômica da China, da Índia e, delas, para os seus parceiros asiáticos. A expansão da renda e da urbanização desses países aumentou a demanda de bens agrícolas e minerais, principalmente aqueles controlados por cartéis ou cuja oferta é pouco elástica a curto e médio prazo. 6. “Descoberta” dos hedge funds de que podiam especular no mercado de commodities, cujos preços, conseqüentemente, se descolaram dos fundamentos.

O mundo vive um fenômeno muito conhecido, que é a vantagem dos devedores quando a receita cresce por efeito da inflação e as dívidas não têm correção monetária. O mundo emergente estava endividado em dólares com taxas de juro flutuantes basicamente controladas pelo mercado americano. O aumento da demanda física de suas exportações, acompanhado do aumento dos preços em dólares nominais (inflação externa não internalizada nos EUA), produziu um enorme aumento do valor das exportações dos emergentes. Como nem a amortização nem a taxa de juros (que corrige o valor do serviço da dívida) cresceram, eles receberam um bônus que aliviou a sua situação externa. O Brasil é testemunha desse fato.

O quadro sugere que em algum momento os EUA terão de ajustar o seu déficit em conta corrente e, provavelmente, internalizar parte da desvalorização externa do dólar. Este desandou de uma vez a partir do início de 2002. Sua alternativa é perdê-lo como unidade de conta do comércio internacional e principal moeda-reserva. A crise atual iniciada pelo subprime não é esse ajuste. É apenas a ponta do iceberg que se esconde embaixo do fato de que os EUA durante muitos anos (praticamente desde 1997) vêm consumindo e investindo acima de sua capacidade produtiva.

Não tenhamos ilusões. Os EUA não são o que são por acaso. Vão, como no passado, fazer o que deve ser feito, depois que resolverem a atual crise interbancária que poderia causar uma recessão fora de controle. E vão fazê-lo quando ficar visível a internalização da inflação externa do dólar: vão aumentar o juro, diminuir o crescimento (e o emprego) e reduzir o déficit em conta corrente. Isso valorizará externamente sua moeda e reduzirá (ou eliminará) o crescimento dos preços das commodities. Quando vemos Paul Volcker se aproximar de Barack Obama e sugerir que o “Federal Reserve andou perto da ilegalidade”, com o seu suporte descuidado ao sistema financeiro, devemos tremer na base. Como tremeu, aliás, o grande ministro Mário Henrique Simonsen, quando soube, em agosto de 1979, que Jimmy Carter convidara Volcker para a presidência do Fed.

Mas esse não é, hoje, o nosso problema, nem o dos EUA. Hoje temos um cabo-de-guerra entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda a respeito de saber se estamos ou não na iminência de uma superinflação que precisa ser prevenida com um superaumento da taxa Selic, que passou de 11,25% (já a maior do mundo) para 11,75%, e deve atingir qualquer coisa entre 12,50% e 13,25% em dezembro, de acordo com a “ciência” de que dispõe cada analista. O problema é que não há sinais claros de excesso de demanda. O grosso do aumento dos preços vem de um número limitado de produtos (estimulados externamente e por condições climáticas passageiras), que para ser alcançados por uma redução da demanda exigirão um aumento do desemprego e uma queda da renda real. O pior é que daqui a nove ou dez meses, quando a inflação voltar à meta (como voltaria naturalmente), algum econometrista vai provar que isso foi o efeito do aumento preventivo da taxa de juro.

Delfim Netto

Sextante

Ameaça de pacote faz dólar subir

Os rumores de que o governo poderá baixar um conjunto de medidas cambiais destinadas a barrar a entrada do capital externo atraído pelo novo status de risco do Brasil fizeram o dólar fechar ontem em alta após acumular baixa de 3,23% desde o anúncio feito pela S&P, na tarde do dia 30. A moeda fechou cotada a R$ 1,6580, em alta de 0,48%. Na máxima do dia, chegou a subir 0,85%, a R$ 1,6640. A perda de ímpeto resultou de desmentidos algo tímidos e nada explícitos da equipe econômica. Enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, guardou silêncio o do Planejamento, Paulo Bernardo, disse desconhecer estudos dentro do governo a respeito do fluxo de recursos externos. E, da Suíça, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao garantir que o dinheiro estrangeiro que entrará como conseqüência do grau de investimento será de qualidade, sugeriu implicitamente a inutilidade de se taxá-lo já que, por sua natureza, busca prazos maiores que o smart money especulativo.

Não interessa à Fazenda e ao Planalto desmentir categórica e irrefutavelmente a idéia de que será, após o selo de segurança da S&P, necessária a imposição de algum tipo de controle de capital. Será conveniente que o mercado opere sempre com a suspeita de que, se exagerar, uma porta-giratória seletiva será posta à entrada. Pelo diagnóstico da ala desenvolvimentista do governo, o afluxo de dólares poderá, ao apreciar ainda mais o câmbio, derrubar o superávit da balança comercial e ampliar o déficit em transações correntes. Essa interpretação é vista com ressalvas pelos analistas do mercado.

Pela lógica do modelo novo-clássico de política econômica atualmente em vigor no Brasil, o juro básico terá de permanecer elevado não só para combater a inflação mas também para debelar o déficit em transações correntes. O carimbo de economia segura ao investimento externo, conferido pela S&P na semana passada, pode agravar os dois problemas. Pode desinibir, por excesso de confiança, o repasse aos preços dos custos majorados pelas importações e petróleo mais caros. E, pela ótica da análise mais ortodoxa, o déficit nas contas correntes cresce velozmente devido ao aumento acelerado da absorção relativamente ao produto. "Com o comportamento benigno dos fluxos de capitais, que se acentua com a promoção ao grau de investimento, o câmbio real tende a se valorizar, sendo fundamental reduzir a absorção para manter a sustentabilidade das contas correntes", diz relatório da consultoria do ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore.

Há duas maneiras de se fazer isso: ou pela política fiscal ou pela monetária. A forma de fazê-lo através da política fiscal não é elevando os superávits primários, os quais servem apenas para garantir a solvência da dívida pública, mas sim cortando gastos de consumo do governo, que é, na opinião de Pastore e da maior parte do mercado, a forma mais eficiente de reduzir a absorção. "Mas esta opção não está no cardápio do governo", diz o estudo. Isso empurra o BC a realizá-lo por meio do crowding-out do consumo e dos investimentos privados. Ou seja, a opção é pelo arrocho mesmo.

Os juros subiram no mercado futuro da BM&F não só porque o dólar parou de cair. O contrato para janeiro de 2010 avançou de 13,55% para 13,68%, enquanto a taxa para janeiro de 2011 evoluiu de 13,43% para 13,62%. Um outro motivo foi citado pelos tesoureiros para justificar as taxas mais elevadas. A razão foi a nova rodada de deterioração das expectativas de inflação das instituições pesquisadas pelo Boletim Focus. O pretexto é tecnicamente falho. A projeção que piorou de forma mais dramática foi à relativa ao IPCA para o acumulado de 2008. De acordo com a mediana das cem instituições ouvidas, o prognóstico subiu de 4,79% para 4,86%. E só para o índice oficial de 2008 a expectativa supera a meta central de 4,5%. Para 2009, a projeção subiu de 4,40% para 4,49%. E, para os próximos 12 meses, até caiu, de 4,43% para 4,42%. Acontece que as decisões puras de política monetária tomadas hoje não têm efeito sobre o IPCA de 2008. A menos que o BC resolva elevar as alíquotas incidentes sobre os depósitos compulsórios, cujo efeito de compressão da liquidez e elevação dos juros do crédito é imediato, as decisões de aumento da taxa Selic só surtirão impacto sobre a demanda no começo do ano que vem. Ou seja, o IPCA deste ano só não estará dado se o Copom resolver dar um choque de juros para valer. Mas isso amplia a distorção segundo a qual o país que mais paga juro real no mundo já desfruta do grau de investimento. Se é seguro, não precisa pagar juro alto.

Luiz Sérgio Guimarães é repórter de finanças
luiz.guimaraes@valor.com.br

Emoção e investimento em bolsa, mistura perigosa

Mauricio Carvalho
Devemos tomar cuidado com nossas emoções, pois elas podem ser prejudiciais à nossa saúde financeira. Acredito que tentar acertar as oscilações da bolsa é um exercício fútil e estar sempre no mercado é a melhor maneira de ganhar dinheiro. É muito melhor manter os investimentos e agüentar as quedas - embora seja dificílimo aceitar ver o valor do nosso patrimônio se desvalorizar - para depois aproveitar as subidas.

Pouca gente consegue saber quando as ações vão subir ou cair. Se olharmos o desempenho pífio dos fundos multimercados nos últimos meses, teremos um bom exemplo de que mesmo equipes bem qualificadas, focadas e motivadas, não conseguem acertar sempre. A estratégia correta é comprar quando se acredita que os preços estão bons e não quando o mercado está subindo. E vender quando os preços estão altos, e não quando os papéis estão caindo. Provavelmente, haverá meses em que a performance de sua carteira se descolará do índice, mas essa é a única maneira de se criar valor de maneira sustentável com investimentos em ações.

Vamos aos fatos. Digamos que um investidor tenha participado da espetacular subida da bolsa nos últimos cinco anos. Nos 62 meses decorridos desde o início de janeiro de 2003 até o fim de fevereiro de 2008, por exemplo, o Ibovespa acumulou uma rentabilidade de 463%. No mesmo período, o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) rendeu 123%. Mas a bolsa tem uma particularidade: não sobe sempre. Na realidade, existe muita variação da rentabilidade entre os meses, sendo que vários deles podem até mesmo apresentar quedas. Já o CDI é uma aplicação muito mais tranqüila, as variações mensais são sempre parecidas.

O investidor que acha que consegue se antecipar ao mercado vai tentar acertar quais desses 62 meses foram os meses bons. Resultado: vai entrar depois que a bolsa subir e vai sair depois que as ações caírem. E, nessa estratégia, o investidor provavelmente vai perder dinheiro porque as subidas são sempre muito concentradas em poucos meses. Se ele fizer a aposta errada e ficar de fora em apenas alguns desses meses bons, toda a sua rentabilidade ficará comprometida. Se nesse período de 62 meses, que foi espetacular para investimentos em bolsa, ele tivesse ficado fora nos oito melhores meses, ou apenas 13% da amostra, seu rendimento acumulado teria caído para 117% - abaixo do CDI.

Ou seja, um erro de pouco mais de 10% em sua estratégia de "market timing" faria com que o investidor corresse muito risco, entrando e saindo da bolsa, e não ganhasse nenhum prêmio por isso. Seria muito melhor e mais tranqüilo ficar aplicado no CDI e ir jogar tênis. Mais um detalhe: ele ainda teria todo o custo de corretagem e o trabalho de análise e controle das ações. É claro que ninguém espera que um investidor bem informado erre todos os melhores meses da bolsa, mas meu argumento é que, mesmo se ele errasse apenas alguns meses, o impacto na rentabilidade seria considerável e comprometeria todo o esforço para prever os movimentos do mercado. Conclusão: para se ganhar dinheiro em bolsa é preciso estar sempre na bolsa.

Mauricio R.A. Carvalho é professor no MBA do IBMEC-SP e sócio da Portfolio Administração de Recursos

E-mail: mauricioRAC@isp.edu.br

A taxa de câmbio e a inflação de alimentos

A taxa de câmbio é o principal mecanismo de transmissão da política monetária no Brasil. Quando o Banco Central eleva a taxa de juros não há necessariamente contração dos agregados monetários, reservas bancárias e oferta de crédito, por exemplo, e por estes mecanismos a demanda agregada. Ao contrário, há episódios em que elevação da taxa de juros convive com forte expansão de crédito de outros agregados monetários, mas sempre tem afetado a taxa de câmbio e, por este mecanismo de transmissão, a taxa de inflação. Assim, desde 1999, o sucesso da política monetária em controlar a taxa de inflação vem ocorrendo fundamentalmente via apreciação da taxa de câmbio. Entretanto, a taxa de câmbio é um dos preços fundamentais para a atividade agropecuária, grande exportador, por afetar a sua receita e a decisão de ampliação ou redução na área plantada. Se, de um lado, o Banco Central, ao elevar a taxa de juros, reduz a taxa de inflação, via apreciação da taxa de câmbio, por outro, esta última reduz a área plantada com potencial impacto inflacionário.

De fato, pode-se observar no gráfico que a inflação no Brasil se acelera com a depreciação da taxa de câmbio em 1999 e 2002, e desacelera com a sua apreciação, como se observa no período pós-2003. Neste último período, observe-se dois choques externos de elevação de preços de commodities em 2004 e 2007.

No entanto, observa-se que existe uma forte correlação entre taxa de câmbio e a área plantada de grãos no Brasil, conforme gráfico. No período em que a taxa de câmbio aprecia logo depois do Plano Real, a área plantada cai da safra de 1994/95 a 1997/98. Com a desvalorização cambial de janeiro de 1999 e depreciações posteriores, a atividade agropecuária responde com rigor e expande de forma fantástica, ampliando a área plantada de 35 milhões de hectares, em 1997/98, para 49 milhões de hectares, em 2004/05, um aumento de 40%, isto é, 14 milhões de hectares de área plantada em sete anos. Com a apreciação da taxa de câmbio a partir de 2004, a área plantada caiu para 46 milhões de hectares na última safra 2007/08. Se o mesmo estímulo tivesse sido mantido até a última safra, a área plantada em grãos poderia ter aproximado de 60 milhões de hectares e a produção de grãos seria da ordem de 180 milhões de toneladas, lembrando que a produtividade vem aumentando significativamente no Brasil - basta lembrar que nos últimos dez anos aumentou 38,1%. Com oferta adicional de 40 milhões de toneladas de grãos o quadro internacional seria outro e a inflação de alimentos muito menor.

Com a política de taxa de juros e de câmbio praticada nos últimos anos, o medo e o desânimo tomaram conta dos empresários, que se retraíram para sobreviver, com redução na área plantada no Brasil desde 2004. Para agravar a situação do setor agropecuário, desde 2002/3 ocorre uma sucessão de choques negativos: elevação do preço da terra e dos insumos e problemas de praga e secas. Os preços recebidos pelos agricultores vinham tendo uma evolução favorável com a depreciação da taxa de câmbio. A forte apreciação da taxa de câmbio a partir de 2004 passa a repercutir negativamente nos preços recebidos pelos agricultores, enquanto os preços pagos pelo agricultor disparam. Assim, a receita dos 20 principais produtos agrícolas atingiu seu pico de R$ 134 bilhões em 2003, reduziu para R$ 123 bilhões em 2007, enquanto no mesmo período os preços pagos aumentaram significativamente, gerando uma grave crise no setor. Com isso, a agropecuária acumulou dívidas que vêm crescendo ao longo dos anos e se descapitalizou, de forma que, mesmo com o fenomenal estímulo da brutal elevação dos alimentos, não aumentou a área plantada nesta safra. Em 2007, os preços recebidos disparam novamente. Segundo o índice de preço de alimentos da revista "The Economist", no último ano eles aumentaram 65,4%, e acima dos preços pagos, mas mesmo assim a área plantada não aumentou. Com este aumento de preço e aumento de produtividade, a receita na safra 2007/08 deverá subir para R$ 147 bilhões.

O Brasil é hoje o país que possui, de longe, maior área de terras aráveis ainda não utilizadas, além de ter uma imensa área de pastagens degradas que podem ser recuperadas e convertidas em lavoura, ou para sistema de rotação pecuária-lavoura. No Brasil, as culturas anuais e permanentes ocupam 72 milhões de hectares, temos 71 milhões de hectares de áreas não exploradas ainda disponíveis para a agricultura e 172 milhões de hectares de pastagens - com sua recuperação e integração com lavouras, a disponibilidade de áreas utilizáveis poderia ser aumentada em mais 100 milhões de hectares. Da área territorial total do Brasil, de 851 milhões de hectares, 493 milhões de hectares compõem a área onde não podemos produzir (Floresta Amazônica, área de conservação, centros urbanos etc). Desta forma, hoje a área total onde o Brasil pode produzir é de 287 milhões de hectares. Para concluir, o Brasil possui uma competente e dinâmica classe empresarial rural, que responde rapidamente à estímulos de preços; a maior área de terras cultiváveis não utilizadas; tem uma das maiores indústrias de máquinas, equipamentos e insumos agrícolas do mundo; e domina a tecnologia. O Brasil é solução para o problema da escassez mundial de alimentos. Falta política macroeconômica adequada, que não transfira renda do produtor-exportador para o consumidor-importador; taxa de câmbio não apreciada; não impor restrições de crédito à produção e taxa de juros civilizadas.


Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP, escreve mensalmente às terças-feiras.

Indústria acelera vendas e contratações

Arnaldo Galvão
A indústria teve, nos primeiros três meses de 2008, o maior crescimento dos últimos cinco anos para o período, na comparação feita com o desempenho do trimestre anterior, já descontados os efeitos sazonais. Por esse critério, os aumentos verificados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) foram de 1,8% no faturamento, 2,1% nas horas trabalhadas e 1,1% no emprego em relação ao quarto trimestre de 2007. O uso da capacidade instalada, no entanto, teve um pequeno recuou, de 0,1%.

No confronto com os dados do primeiro trimestre de 2007, a expansão dos indicadores industriais é expressiva: 7,6% no faturamento, 6% nas horas trabalhadas e 4,9% no emprego. Em março, o uso da capacidade instalada foi de 83,1%, o que representa, praticamente, estabilidade sobre o nível de fevereiro (83%), mas revela aumento sobre março de 2007 (82%).

Esse ritmo intenso, contudo, pode estar perdendo força. Dois indicadores de março - faturamento e horas trabalhadas - tiveram leve recuo sobre o que ocorreu em fevereiro, já descontados os fatores sazonais. O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, comenta que, normalmente, março apresenta números melhores que os de fevereiro, principalmente pelo maior número de dias úteis. Mas ele também alerta que o movimento de março pode ser apenas uma acomodação isolada. "Esse arrefecimento ainda não significa uma tendência", diz.


Na perspectiva do economista da CNI, o aperto monetário e a valorização cambial podem reduzir o ritmo de crescimento da indústria neste ano. O que preocupa especialmente os industriais, segundo ele, é o câmbio. A cotação do dólar no patamar de R$ 1,70 já representava perda de competitividade das exportações e até deslocamento da produção nacional de bens de consumo. Nessa avaliação, o aumento da taxa de juros e a promoção do Brasil ao grupo de países onde o investimento é recomendado (investment grade) trabalham contra a desvalorização da moeda.

"A perspectiva para a indústria continua positiva para os próximos meses, mas o ritmo de expansão pode ser menor que o previsto", avalia Castelo Branco. A CNI projetava que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da indústria seriam de 5% em 2008.

Os indicadores industriais do primeiro trimestre revelam que, entre 19 segmentos analisados, veículos automotores, máquinas/equipamentos e alimentos/bebidas foram os mais dinâmicos. As montadoras de automóveis foram as maiores responsáveis pelo aumento do uso da capacidade instalada em março, seguidas dos setores de borracha/plástico e minerais não metálicos. Castelo Branco garante que não há pressão generalizada sobre a capacidade instalada da indústria. Ele ressalta que, em março, entre os 19 segmentos, nove tiveram recuo na utilização de seus equipamentos. Naquele mês, as três maiores quedas foram em refino de petróleo e álcool, material eletrônico e de comunicação e produtos químicos.

No crescimento de 7,6% no faturamento da indústria no primeiro trimestre, as três maiores contribuições vieram de veículos automotores, máquinas e equipamentos e metalurgia básica. Os três piores desempenhos foram de produtos químicos, madeira e edição/impressão. Na comparação de março com fevereiro (na série com ajuste sazonal) a queda de 0,5% no faturamento interrompeu sequência de crescimento de sete meses seguidos.

O indicador de horas trabalhadas é o que mais se aproxima ao de atividade da indústria e o salto de 6% no primeiro trimestre foi impulsionado, principalmente, por alimentos/bebidas, máquinas/equipamentos e veículos automotores. Nos três primeiros meses, a atividade recuou em madeira, couro/calçados, vestuário/acessórios e refino de petróleo e álcool.

A expansão do emprego industrial no primeiro trimestre (4,9%) foi puxada, principalmente, pelas empresas dos segmentos de alimentos/bebidas, máquinas/equipamentos e veículos automotores - eles responderam por 65% dessa expansão. Segundo a CNI, a massa salarial no primeiro trimestre foi 6,8% maior que a verificada no mesmo período de 2007.

Tesouro poderá fazer nova captação externa

Alex Ribeiro, de Brasília
O Tesouro Nacional avalia a possibilidade de fazer uma nova captação no mercado internacional, cumprindo sua estratégia de melhoria do passivo externo indicada em seu plano anual de financiamento. "O momento de voltar ao mercado internacional ficou mais próximo depois da concessão do grau de investimento pela Standard & Poor's", informa o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle.

O governo não precisa de dinheiro novo - na realidade, esta fazendo resgates líquidos de dívida. Mas o Tesouro tem interesse de fazer novas captações para reforçar alguns pontos de sua curva internacional de juros. De um lado, estão sendo recomprados títulos com baixa liquidez e que são negociados acima de seu valor de face. São papéis que pagam prêmio no mercado secundário e que, por isso mesmo, permitem que o Tesouro tenha lucros contábeis na sua recompra antecipada.

De outro lado, faz parte da estratégia do Tesouro reforçar dois pontos da sua curva de juros, com prazos de 10 anos e de 30 anos. Hoje, existe um volume de R$ 2 bilhões em títulos soberanos com vencimento em 2017 e de R$ 2,5 bilhões com vencimento em 2037. A avaliação é que, para aumentar ainda mais a liquidez desses papéis, o ideal é que esses volumes sejam aumentados para R$ 3 bilhões.

Na visão do Tesouro, se os volumes de papéis nesses dois vencimentos aumentarem, sua negociação no mercado secundário se tornará mais intensa, reduzindo o prêmio por liquidez. O resultado será o pagamento de juros menores, caso o Tesouro decida voltar a se financiar no mercado internacional. Empresas também pagarão juros menores nas suas captações, já que a curva de juros do Tesouro serve de referência para o setor privado.

Valle disse que a elevação do país a grau de investimento derrubou ainda mais os juros dos papéis brasileiros. "O mercado, na prática, já vinha tratando os títulos brasileiros como grau de investimento, na medida em que os juros caíram para níveis pagos por países bem classificados pelas agências."

Um exemplo: nos últimos meses, os juros dos títulos brasileiros chegaram muito próximos aos pagos pelos papéis do México, que já há alguns anos conquistou o grau de investimento. Na sexta-feira, depois da concessão do grau de investimento, os títulos brasileiros com prazo de 30 anos estavam pagando 5,85% ao ano, abaixo da remuneração dos mexicanos, que pagavam 6,01% no mesmo dia.

Para Valle, o fato de o Brasil pagar menos do que o México reflete os fundamentos favoráveis da economia brasileira, como uma pauta de exportação diversificada, alto volume de reservas internacionais e reduzida dependência da economia americana. A mais recente captação da República aconteceu em junho de 2007, com a reabertura de um papel com vencimento em 2028. Desde então, o Tesouro tem se resguardado, em virtude do ambiente de maior incerteza no mercado internacional. "A estratégia se mostrou acertada", disse. Os prêmios aumentaram, o que tornou o momento mais favorável para fazer resgates de pontos desfavoráveis na curva.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista para a rádio CBN, que o governo poderá vir a aumentar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje em 1,5% sobre o ingresso de capitais estrangeiros dirigidos a renda fixa, caso a concessão de grau de investimento leve a um aumento nesse fluxo. "Já criamos o IOF , de 1,5%, para tentar inibi-lo. Se for preciso, cria-se mais, o Conselho Monetário (Nacional) saberá o momento adequado de discutir isso", disse o presidente. "Acho que temos que ter mecanismos para não misturar o dólar que entra para o setor produtivo, para construir uma fábrica, para gerar um emprego, com o dólar que vem para a especulação."

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