segunda-feira, 30 de junho de 2008

O Banco Central tinha razão

Ao longo de boa parte de 2007, o Banco Central (BC) reduziu sucessivamente as taxas de juros, por meio das reuniões do Copom. Dando continuidade ao relaxamento monetário que tinha sido iniciado no terceiro trimestre de 2005, o Copom começou 2007 com a Selic em 13,25% e mediante reduções sucessivas diminuiu a taxa até 11,25%. Entretanto, na reunião de outubro, ele interrompeu o movimento e manteve a taxa naquele mesmo nível. Na ocasião, não faltaram críticas à decisão, a ponto de até mesmo uma autoridade de um órgão oficial de pesquisas ter qualificado a mesma como "absurda", em incrível artigo de jornal. Pródigos em adjetivos, os críticos não economizaram qualificações, indo desde a tradicional acusação de que a decisão "atenderia aos interesses dos banqueiros", até a alusão à "insanidade" das autoridades monetárias.

A visão dominante podia ser sintetizada na idéia de que a inflação teria tido um simples "soluço"; as expectativas continuariam muito bem comportadas; o que havia seria apenas um problema localizado nos alimentos; e o BC, ao interromper o ciclo de quedas da Selic, estaria vendo "fantasmas". Tal visão lembra a famosa frase do empresário grego Stelios Haji-Toannou, fundador da companhia aérea Easyjet: "Se você pensa que segurança custa caro, experimente um acidente". Àqueles que costumam se queixar do rigor do BC, não custa lembrar: em 1986, para não ter que arcar com os custos de uma política monetária dura, o Brasil experimentou deixar os juros baixos para ver o que acontecia. A experiência nos custou quase 10 anos de planos fracassados de estabilização. É bom não repetir o exemplo.

A pergunta que não quer calar é: ninguém vai pedir desculpas ao BC? Que fique claro: uma taxa de juros real maior tende a apreciar o câmbio real e isso, a médio prazo, não é bom. Entretanto, a idéia de que o BC via apenas fantasmas é uma fantasia retórica: a ameaça da inflação é algo concreto.

Vamos aos números. Em outubro, quando o BC fez uma pausa no processo de redução dos juros - que acabou depois revertido com o novo ciclo de alta - a inflação acumulada em 12 meses, pelo IPCA, estava em 4,1 %, depois de ter fechado em 3,1 % em 2006. A variável fechou 2007 em 4,5 % e nos 12 meses encerrados no mês em curso o IPCA-15 já está em 5,9 %. Mais ainda: o INPC, que capta o impacto do custo de vida no bolso dos mais pobres, tinha aumentado 2,8 % em 2006; esse aumento alcançou 5,2 % em 2007 e provavelmente até junho ultrapassará 7,0 %.

Os críticos da política monetária erraram de forma ampla, diga-se de passagem. Diziam que o que havia em curso era um soluço, quando o fenômeno de alta da inflação já dura um ano e meio. Alegavam que os alimentos ajudariam a conter a inflação em 2008 e nada disso está ocorrendo. Opinavam que as expectativas eram imunes ao que estava acontecendo com a inflação, mas a mediana da expectativa de inflação para 2009 das instituições "top five" de curto prazo que respondem ao Focus era de 4,0 % no começo do ano e já está em 5,0 %, com viés de alta. Julgavam que o problema estava no índice cheio e não nos núcleos, quando a média dos núcleos por médias aparadas e por exclusão, acumulada em 12 meses, que estava em 3,5 % em meados de 2007, atingiu 4,8 % nos 12 meses encerrados em maio, também com tendência de alta.

Não se quer com isso negar a anomalia histórica representada por uma situação na qual, 14 anos depois de um plano de estabilização bem-sucedido, a taxa de juros nominal no fim do ano seja da ordem de 14 %. Nem, muito menos, negligenciar o perigo de que, se a estratégia de combate à inflação centrada na política monetária, com o gasto público crescendo fortemente, se consolidar, o país colha em conseqüência uma continuidade da apreciação do real e o retorno do sinal vermelho associado ao setor externo, daqui a alguns anos. O que se quer frisar é que:

a) É preciso respeitar mais o Banco Central. Não é possível que algumas autoridades dêem entrevistas insinuando que o grande problema do país é o BC, como se ele fosse um corpo de outra galáxia e não um elemento fundamental do governo do qual tais autoridades formam parte;

b) É preciso reconhecer que o BC acumulou crédito. Ele acertou no atacado - independentemente de, como qualquer instituição composta por seres humanos, ter cometido alguns erros nas dezenas de decisões que lhe coube tomar nos últimos anos - e, desde que a meta de inflação foi fixada em 4,5 %, para o ano de 2005, entregou à sociedade brasileira uma taxa média em quatro anos de 4,9 %, supondo uma taxa de 6,3 % no ano em curso - um grau de acerto que a torna talvez a agência oficial mais eficiente do país, em matéria de rigor no cumprimento das metas de desempenho;

c) Há que se ter noção do que seja o processo histórico. Se hoje os EUA são aclamados como exemplo de política antiinflacionária bem-sucedida é porque Volcker, há 30 anos, jogou as taxas de juros "na Lua", para 20 %. O BC brasileiro não tem a mesma credibilidade que os dos países desenvolvidos, mas certamente o país está melhor do que os EUA em 1979, em matéria de combate à inflação. Daqui a 10 ou 20 anos poderemos ser parecidos nessa matéria com os EUA ou a Europa de hoje e não ter que elevar muito os juros;

d) A coordenação de políticas é fundamental. Se a política fiscal ajudasse mais, as taxas de juros não teriam que subir tanto. Entretanto, se a política fiscal não ajuda, o BC acaba tendo que dar um combate solitário à inflação.

Atacar o BC é um erro. Poderá se converter em um erro muito pior se, como se especula, Meirelles deixar o cargo em 2009 e o ambiente de pressão inflacionária ainda vigorar. Mesmo que seu sucessor seja um técnico competente, um presidente do BC politicamente mais fraco dificilmente teria a força para, se for preciso, conservar uma política monetária austera. Que a oposição ataque o BC, é algo natural. Porém, que ele seja alvo do "fogo amigo", hoje, é incompreensível - e, em 2009, poderá ser um problema grave.


Fabio Giambiagi, economista, co-organizador do livro "Brasil Globalizado" (Editora Campus), escreve mensalmente às segundas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br.
fgiambia@terra.com.br.

Estagflação e queda-de-braço

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

EM TODO o mundo os preços sobem, a inflação volta a ser uma ameaça. Poder-se-ia pensar em uma clássica inflação de demanda porque apenas nos Estados Unidos esteja começando uma recessão, mas um número crescente de analistas adverte sobre os riscos de estagflação -ou seja, de inflação combinada com recessão ou crescimento muito baixo. A preocupação é legítima. A estagflação é uma combinação de inflação de custos com alguma indexação de preços. Não é a mesma coisa do que foi a nossa inflação inercial, que era indexada também formalmente, mas tem suficiente número de mecanismos de indexação de preços para que um aumento inicial de custos provoque em seguida um quadro temporário de estagflação.
A commodity que tem capacidade de provocar estagflação mundial é o petróleo. Em duas ocasiões nos anos 1970 (1973 e 1979) e uma vez nos anos 1990, em seguida à invasão do Kuait pelo Iraque, o aumento do preço do petróleo foi um fator detonador da inflação de custos que, em seguida, se inercializou por um ou dois anos (não por 14 anos, como aconteceu com o Brasil a partir de 1980). Agora, ainda que outros preços de commodities estejam crescendo, o petróleo, cujo preço aumentou 150% no mesmo período, é o fator decisivo a provocar uma inflação que ameaça se transformar em estagflação.
Diante desse quadro de forte mudança dos preços relativos em favor dos países produtores de petróleo e de outras commodities, que fazer? Economistas do Norte têm uma solução para o problema: esses países deveriam concordar com uma substancial apreciação de suas moedas.
De fato, se eles mais a China com seu superávit derivado de rendas do trabalho barato apreciassem suas moedas, haveria uma redução de preços de todos os bens comercializáveis que controlaria a inflação local. Os países ricos continuariam importando inflação porque os preços das commodities não cairiam, mas os Estados Unidos não precisariam mais enfraquecer o dólar para resolver o problema do seu déficit em conta corrente.
É pouco provável, entretanto, que os grandes países em desenvolvimento aceitem apreciar suas moedas. No caso do Brasil, porque a apreciação já lamentavelmente ocorreu. No caso de quase todos, porque significaria aceitarem o aprofundamento de sua própria doença holandesa -uma falha de mercado que deriva não apenas de recursos naturais, mas também de mão-de-obra barata que, para ser neutralizada, requer a depreciação de suas moedas ao invés da apreciação. Além disso, para os exportadores de manufaturados, significaria perda de competitividade.
Se os Estados Unidos não resolverem essa queda-de-braço com os países em desenvolvimento, a solução clássica para seu déficit em conta corrente e para o controle da própria inflação seria a combinação de dois movimentos: de um lado, continuar a depreciar o dólar -uma medida que reduz o déficit em conta corrente, mas não implica diminuição da inflação; de outro, aumentar os juros e esperar que, com a diminuição da absorção, os preços afinal caiam.
Nesse segundo ponto, porém, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) fazia o inverso e agora está paralisado -preso à armadilha da crise bancária interna e da ameaça de recessão. O problema fica, assim, sem saída fácil, e a estagflação torna-se cada vez mais provável.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 73, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994".
Internet: www.bresserpereira.org.br
lcbresser@uol.com.br

Mercado foca petróleo e emprego nos EUA

CMN deve manter meta de 4,5% para inflação em 2010

Após uma semana agitada, o mercado financeiro terá uma agenda menos carregada de eventos nos próximos dias. Um dos pontos fora da pauta que podem mexer com os mercados internacionais é o preço do barril de petróleo, que tem batido recordes e preocupado os analistas e os investidores.
Na semana passada, os dirigentes do Fed (o banco central dos EUA) se reuniram e anunciaram a manutenção da taxa básica do país em 2% ao ano. A decisão não chegou a incomodar o mercado.
Um dia que tende a ser muito intenso no mercado é a quinta-feira, quando haverá a divulgação de importantes dados do mercado de trabalho dos EUA.
"Nesse mesmo dia ainda será divulgada a decisão de juros da zona do euro, podendo trazer novos prognósticos para a política monetária na região", avalia a equipe de analistas da Coinvalores.
Com o atual cenário de pressão inflacionária assustando o mundo, analistas contam com a possibilidade de os bancos centrais começarem a subir suas taxas em um futuro próximo. E um cenário desses seria negativo especialmente para as Bolsas de Valores.
Os dados do mercado de trabalho americano são muito relevantes por serem um precioso sinalizador do ritmo em que se encontra a maior economia do mundo.
"O relatório de emprego deverá confirmar o quadro de fraqueza nas condições do mercado de trabalho nos EUA. Os analistas de mercado prevêem que a taxa de desemprego fique em 5,4% em junho e que haja nova retração nos postos de trabalho, a sexta consecutiva", diz Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.
Na quarta-feira, vão ser divulgados nos EUA dois dados também relevantes: encomendas da indústria e a posição dos estoques de petróleo e derivados, como a gasolina.
O barril de petróleo, que superou a barreira recorde de US$ 140 em Nova York na sexta-feira, tem sido uma preocupação crescente para as economias, especialmente a americana. O impacto da alta do preço do petróleo na inflação preocupa o mercado.

Inflação
A inflação também tem se tornado uma preocupação cada vez mais forte no Brasil. Na sexta-feira, foi divulgado o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que bateu em 1,98% no mês, sendo esta a mais elevada taxa desde fevereiro de 2003.
Na quinta-feira, vai ser apresentado o IPC da Fipe. A expectativa é que o índice tenha ficado em 0,90% no mês.
Com a inflação em rota ascendente, os analistas não esperam que o Banco Central tome nenhuma nova medida para tentar conter o câmbio. Isso porque o dólar depreciado é um fator a menos de contaminação sobre os preços. Se o dólar está em alta, os preços de produtos que contêm insumos importados acabam por sofrer pressão.
Nas operações de sexta, o dólar encerrou a R$ 1,595, com baixa anual de 10,24%. A moeda americana está hoje em seus mais baixos níveis desde janeiro de 1999.
Na agenda nacional de hoje, está a reunião periódica do CMN (Conselho Monetário Nacional). "O CMN anunciará a meta para inflação de 2010, que deverá ser mantida em 4,5%, provavelmente com a mesma margem de tolerância atual de 2 pontos", diz Teles.
"No front interno, dados da indústria serão divulgados ao longo da semana. A volatilidade deverá continuar presente e o ambiente internacional deverá manter o clima de cautela na Bolsa paulista na semana", diz a Coinvalores.

Bovespa tem saída recorde de recursos estrangeiros

Investidores deixaram a Bolsa mesmo com o grau de investimento dado ao país
Saída líquida de estrangeiros somou R$ 7,4 bilhões, recorde para um mês; no ano, saldo negativo bateu em R$ 6,64 bilhões

FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A recente promoção do Brasil a grau de investimento não foi suficiente para evitar a debandada de capital externo do mercado acionário local. Com o cenário internacional pouco favorável, o que se tem visto neste mês é a saída recorde de investimento estrangeiro da Bovespa -fator fundamental para explicar a queda expressiva sentida pelas ações brasileiras nas últimas semanas.
No dia 24, o saldo mensal das operações dos estrangeiros apontava saída líquida de R$ 7,4 bilhões -cifra recorde para um mês. Isso significa que nunca antes a diferença entre o volume de ações compradas e vendidas pelos estrangeiros foi tão grande. No balanço anual, que está com saldo negativo de R$ 6,64 bilhões, a situação é a mesma, sendo este, até o momento, o pior ano do real.
Esse movimento ajuda a explicar por que a Bolsa de Valores de São Paulo está com queda acumulada de 11,39% em junho, até a última sexta-feira, muito próxima de ter o seu pior mês desde setembro de 2002, quando caiu 16,95%.
Porém, naquele período, as incertezas em relação ao futuro do país, desencadeadas pelo processo eleitoral que elegeu o presidente Lula, deixaram os investidores mais avessos quando o assunto era aplicar em ativos brasileiros.
Agora, o cenário é bem distinto, com o Brasil promovido a grau de investimento por duas das maiores agências de classificação de risco do mundo. Em outras palavras, o Brasil nunca foi, aos olhos desses avaliadores internacionais, tão seguro para se investir.
Como o capital externo é responsável por cerca de 35% de toda a movimentação da Bovespa, o fato de essa categoria de investidor estar vendendo ações de forma expressiva não tem como passar despercebido.
"Há um cenário global complicado desde meados do ano passado, quando começou a crise do "subprime", que depois se espalhou. Nunca confiei na hipótese de o Brasil ter conseguido se descolar do cenário externo. E o que vemos agora é que a contaminação era questão de tempo", afirma o economista Luis Fernando Lopes, do Pátria Investimentos.
"Com o aumento da aversão, os estrangeiros buscam zerar suas posições aqui para mandar dinheiro para fora. O mês de junho tem sido particularmente ruim. Não é um padrão, mas o ambiente é difícil, com muito mais risco", diz o economista.
Lá fora, as economias têm sido assombradas por dois fatores: o risco de inflação e as expectativas de crescimento moderado. Desde que a crise do "subprime" (crédito habitacional americano de alto risco) passou a abalar os resultados e as perspectivas dos grandes bancos, no ano passado, o clima no mercado internacional vem piorando a cada mês.
A Bovespa vinha demonstrando força para ser menos contaminada pela crise internacional. A perspectiva de que o país poderia receber o grau de investimento -concedido primeiramente pela Standard & Poor's em 30 de abril- vinha favorecendo a Bolsa paulista. Tanto que, em 20 de maio, ela atingiu a maior pontuação de sua história, ao encerrar a 73.516 pontos. Mas, com a persistência na piora do cenário internacional, perdeu o fôlego.
"O cenário internacional só tem piorado e o "investment grade" não foi suficiente para manter a Bovespa em alta enquanto o mundo declinava. Um ajuste no mercado local era inevitável. Como as perdas ainda são grandes lá fora, vemos investidores se desfazendo de papéis aqui para fazer caixa e cobrir buracos", afirma José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

Futuro incerto
Se os Estados Unidos voltarem a subir sua taxa básica de juros, que está em 2% ao ano, a saída de capital do mercado acionário doméstico pode se aprofundar. Isso porque, se os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mundo, passarem a render juros maiores, cresce a possibilidade de grandes investidores migrarem de aplicações mais arriscadas (como é o caso das ações) para eles. A concretização de um cenário desse poderia ser ainda mais punitivo à Bolsa local.
Para os estrangeiros, a Bovespa ainda tem gordura para queimar. É que em dólares a Bolsa ainda registra ganhos de 10,93% acumulados em 2008.

domingo, 29 de junho de 2008

Me singing *I Dont Love You

Eu a cantar - Nunca me Esqueci de ti



Nunca me esqueci de ti
Rui Veloso
=====

Bato a porta devagar,
Olho só mais uma vez
Como é tão bonita esta avenida...
É o cais. Flor do cais:
Águas mansas e a nudez
Frágil como as asas de uma vida

É o riso, é a lágrima
A expressão incontrolada
Não podia ser de outra maneira
É a sorte, é a sina
Uma mão cheia de nada
E o mundo à cabeceira

Mas nunca
Me esqueci de ti
Não nunca me esqueci de ti
Eu nunca me esqueci de ti
Não nunca me esqueci de ti

Tudo muda, tudo parte
Tudo tem o seu avesso.
Frágil a memória da paixão...
É a lua. Fim da tarde
É a brisa onde adormeço
Quente como a tua mão

Mas nunca
Me esqueci de ti
Não, nunca me esqueci de ti
Não, nunca me esqueci de ti
Eu nunca me esqueci de ti

Nunca me esqueci de ti
Não não não não não nunca me esqueci de ti

Não não não não não não não não
Nunca me esqueci de ti

Não não
Nunca me esqueci de ti..

Photograph!

Mia Rose - Just Us



Hey,
here's an original song of mine! I wrote it a couple of days ago! Hope you enjoy =)

Mia

Lyrics


Sometimes in the dark of the night brings confusion
you cant find the right from wrong you live for
With everything changing, your feelings inside
you wanna find comfort in somebody's eyes
travelled through passed pain
and finally what I found is

That with you everything just melts away
and its just us...
Just us....

Sometimes when feel yourself slipping away
You cant find the truth from the lie you live for
With everything moving, your fears come alive
you wanna find true love, in somebody's eyes
wandered through hurricanes
and finally what I found is

That with you everything just melts away
and its just us...
Just us....

That with you my true love will always remain
Just us
Just us...

3 Aspects to Pricing Oil

3 Aspects to Pricing Oil

William Eichler submits:

There are three reasons for the huge spike in the oil price, starting in 2004; they are: 1) the pricing method; 2) type of refining capacity; 3) non-commercial oil futures speculation.

  1. Oil is priced using only two grades of crude: WTI and Brent or the light, sweet crude that is always in high demand. The heavy, sour crude is discounted to the good stuff. Of course, there is less of the sweet crude and more of the sour crude. But the price drop in October 2006 through February 2007, when there was significant, monthly, inventory growth over 2005 on WTI at Cushing, OK, does not indicate robust price support at the margin; the imbalance was corrected in 2007.
  2. There is a heavy, sour crude, refining capacity deficit; if refinery capacity were increased to handle this source, demand pressure would be decreased on WTI or Brent and their price should moderate. But environmentalists don’t want refineries…no one wants them [NIMBY]. As an example, look at the denial of the ConocoPhillips (COP) Wood River Refinery expansion in Illinois [Appeal No.07-02]; it was going to handle heavy, Canadian crude. A view of the Environmental Appeals Board work is instructive as to any possibility of future capacity expansion. Couple environmental obstructionism with refinery cost, government refining requirements and the bottleneck on expansion is assured.
  3. Non-commercial, oil futures speculators only add financial pressure to the commodities market. These parties are significantly different from the commodity producers and buyers [hedgers] who trade oil in order to manage the risks of rising or falling prices in their own businesses. They are engaged in price discovery as producers and users of oil. What ‘special knowledge’ would speculators add that commercial hedgers don’t? They add more trading volume, but that was never a problem needing a solution. They do bring a mode of excess; best described by Charles P. Kindleberger in Manias, Panics, and Crashes: A History of Financial Crises. Futures positions can be closed using Exchange For Physicals [EFP] by private negotiation and informing the exchange. While the CFTC prohibits ‘’wash trades,’’ how would they ever know if this method or other tricks were used by world traders to disguise fictitious trades.

Therefore, any measures that help reduce demand for WTI or Brent by increasing the availability of sour crude refining or lessen demand by putting automobile power usage partially on the electric grid, and restrictions on commodity speculators would be helpful.


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Ricos mais ricos, pobres mais ricos

Ricos mais ricos, pobres mais ricos


Sempre foi assim, mas hoje parece mais assim ainda, a economia explicando e guiando o Brasil no século 21 enquanto nossa prática política, parada no século passado, só explica o nosso atraso.

Assim lemos na mesma semana (no caderno de economia, claro) que o número de milionários cresceu 19,1% no Brasil no ano passado e que o desemprego recuou ao seu menor registro em maio (7,9%), puxado pelo emprego de menor rendimento.

Para um país avançar é preciso que ricos fiquem mais ricos e pobres fiquem mais ricos. Uma das inúmeras dádivas do fim do socialismo classista, ilusão que tanto atrasou o século passado, é a percepção geral de que os diferentes setores sociais avançam juntos, não um contra o outro, para a verdadeira criação de riqueza.

É o que acontece mesmo na ainda politicamente comunista China, por exemplo, onde o número de milionários cresceu 20,3% em 2007, atrás só da Índia, onde a quantidade de pessoas com mais de US$ 1 milhão aumentou 22,7%, segundo o estudo global do banco Merrill Lynch e da consultoria Capgemini.

Os dois países que mais crescem no mundo e tiram centenas de milhões da pobreza extrema não por coincidência são os que mais geram novos milionários.

O país de Lula é o terceiro desse ranking criador, com nossos 23 mil novos milionários de 2007 levando o total nacional a 143 mil.

O presidente Lula, dada a sua origem e o seu destino, compreende bem esse baião-de-dois. É a ponte precária e possível até aqui, dado o nosso atraso político, entre os descamisados do Bolsa Família e os que compram camisas Ermenegildo Zegna no chique shopping Cidade Jardim, recém-inaugurado em São Paulo.

Moldada numa trajetória política sempre mais efetiva quando mais pragmática, Lula acabou percebendo o óbvio: que é preciso jogar com o mercado e com a elite econômica do país, não contra eles.

Assim, as empresas brasileiras têm seus maiores lucros, os empresários estão confiantes como não se via há décadas, a população de baixa renda avança com mais emprego e a de baixíssima renda come mais, embora pareça não avançar, com mais assistencialismo garantido pelo aumento da arrecadação de impostos produzida pelo maior crescimento econômico.

Pai dos pobres e mãe dos ricos, Lula teve também sorte cronológica, pegou o país mais estável após anos de política econômica mais ortodoxa e uma economia global em forte expansão, dependente de produtos básicos aqui produzidos, como ferro, soja e carne.

Os crescentes lucros das empresas brasileiras permitem o aumento consistente da massa salarial que fortalece o mercado interno que viabiliza investimentos privados vigorosos que podem levar o Brasil a um ciclo de crescimento virtuoso que não se vê desde os anos 1970.

E desta vez no regime democrático, embora nossa democracia ainda seja uma farsa calcada no crime original do financiamento de campanhas via caixa 2 e da composição de forças guiada exclusivamente pelo fisiologismo e pelas oportunidades de corrupção.

Por mais que a renda cresça e os índices macroeconômicos melhorem, o Brasil ainda é, para milhões e milhões de brasileiros miseráveis, um país a ser feito.

Ao lado do opulento shopping Cidade Jardim tem uma favela. As torres de apartamentos de luxo que compõem o investimento de R$ 1,5 bilhão da construtora JHSF ainda estão sendo finalizadas. Alguns operários descansam numa murada, olhando abaixo o luxuoso shopping a céu aberto onde os consumidores gastam numa bolsa ou num sapato seu salário do mês.

Mas, pelo que mostra o avanço do capitalismo, a riqueza de um não aumenta em detrimento da do outro, mas caminham na mesma direção, por mais desproporcional e injusta que possa ser essa relação.

O paraíso socialista não existe, vamos desenvolver nosso capitalismo.

Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
E-mail: smalberg@uol.com.br

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