terça-feira, 25 de novembro de 2008

Thoughts on reading the October CPI



Thoughts on reading the October CPI

Here is what we know about the October consumer price index (CPI). The overall index declined at an annualized rate of about 11 percent for the month—it’s sharpest fall since 1947. A plunge in gasoline prices played a big part in the decline, but that isn’t the whole story. The traditional “core” CPI, which excludes food and energy prices, also declined in October (at an annualized rate of about 1 percent). This is the first decline in the core CPI since 1982.

Let me offer an opinion on what may be behind these numbers. The drop-off in consumer prices seems to have been prompted by a number of factors, including some pass-through from sharply lower commodity prices, a stronger dollar (which makes import prices cheaper), and very soft consumer spending.

But here’s what I don’t know. Is the October CPI a sign of “deflation"? (and it would appear that many of you are interested in finding an answer to this question). Before you answer the question for me, consider the following: In order to be “deflation” the decline in prices has to be sustained and broadly based. And I’m not sure I can give you much guidance on how long the decline must be in order for it to qualify as sustained, and I sure can’t tell you how broadly-based a general decline in prices is. Consider the distribution of CPI component price changes in figure 1. About one-third of the prices in the CPI market basket declined last month, which is a fairly large percentage of the index. On the other hand, about one-third of the price index was rising in excess of 3 percent last month.

Distribution of October CPI Component Price Changes

One of the things I like to consider when thinking about how “sustainable” and “general” the monthly CPI data are is to consider the behavior of the trimmed-mean estimators of the CPI. A trimmed-mean estimator is the weighted average of the CPI after some proportion of the extreme values of the index are “trimmed” away. The idea of the trimmed-mean estimator is that extreme price changes are not representative of prices in general. Moreover, there is ample evidence that the more extreme the price change, the less sustained it is likely to be.

We can trim any proportion of the data away. In fact, we can trim it all away such that only the median price change remains (this is the Cleveland Fed’s median CPI series.) Consider figure 2, which shows all the various trimmed mean estimators of the October CPI data, from a CPI that trims very little of the index to one that trims away most of the index. How much trimming provides the best perspective from which to judge how sustainable and general the monthly price data are? In the past, I’ve argued that two indicators stand out, the 16 percent trimmed-mean CPI (trimming 8 percent of the most extreme highs and 8 percent of the most extreme lows from the data) and the median CPI. I’ve highlighted these values in figure 2. While the overall CPI posted a sharp decline, the 16 percent trimmed-mean CPI posted a rather slight 0.6 percent decline, and the median CPI rose 1.8 percent.

Trimmed Mean Estimators (Oct 2008)

But, admittedly, knowing which trim of the data best represents how sustainable and general a monthly price report is, is not very clear. So let me offer up a range for you to consider: the interquartile range of the trimmed-mean estimators. An interquartile range is merely the spread between the 75th and the 25th percentile of the estimators. As such, it provides a relatively stable spread of the estimators from which to gauge the range over which prices are “generally” rising (or falling.) Figure 3 shows the interquartile range of the various CPI trimmed-mean estimators monthly since 2004 compared to the traditional core CPI. The interquartile range of the October CPI data is from 0.5 percent to 1.5 percent, shown as the last vertical line in figure 3, and 1.5 percentage points above the core measure.

Core CPI and the Interquartile Range of Trimmed-Mean Estimators

So when the boss asks me what I thought of the October CPI report and what does that single number tell us about inflation (or deflation), my answer is this: The overall and the core CPI posted declines for the month and clearly there is significant, rather broadly based downward pressure on retail prices. But as I cut the data, it looks to me that the October CPI data is pointing to an inflation rate somewhere in the 0.5 percent to 1.5 percent range.

By Mike Bryan, vice president in the Atlanta Fed’s research department

10 questões para entender o tremor na economia

GUSTAVO PATU
da Folha de S.Paulo

O que era uma onda de calotes no mercado imobiliário dos Estados Unidos se transformou em uma crise nos mercados de ações, de crédito e de câmbio do planeta --e os efeitos já começam a chegar ao comércio, aos empregos e ao cotidiano de todos. As próximas páginas procuram trazer à linguagem comum as origens da crise, a dinâmica do mundo financeiro e os desafios a serem enfrentados pelo Brasil.

Leia a seguir dez explicações que ajudam a entender a atual crise:

1 - Como um momento de euforia econômica se transforma em pânico financeiro?
2 - Se as autoridades culpam os especuladores, por que a especulação não é coibida?
3 - Por que os bancos quebram? Por que são socorridos?
4 - De onde os bancos centrais tiram dinheiro para injetar nos bancos?
5 - Se as ações não estão diretamente envolvidas na crise, por que as Bolsas desabam?
6 - Por que o governo não consegue controlar a cotação do dólar?
7 - O que acontece em uma recessão?
8 - Por que o Brasil tende a crescer menos?
9 - Por que as empresas brasileiras que nada têm a ver com as origens da crise tiveram prejuízos milionários?
10 - Quais são as opções do governo brasileiro para lidar com os efeitos da crise?

1 - Como um momento de euforia econômica se transforma em pânico financeiro?

Crises especulativas como a atual --documentadas desde o século 17, com dimensões variadas-- são sempre gestadas em momentos de juros baixos e crédito farto, mais comuns em fases de prosperidade. E a economia mundial vivia o melhor momento desde a década de 70.

O acesso mais fácil ao dinheiro reduz a noção geral de risco. Tanto profissionais do mercado quanto cidadãos comuns se tornam mais propensos a investimentos ousados, em busca de lucros mais altos e rápidos.

Nesse cenário, surgem as 'bolhas': um tipo de investimento -sejam ações, moedas, imóveis, empréstimos ou, em tempos mais remotos, canais, ferrovias e até tulipas- se torna uma mania e se valoriza muito além das reais possibilidades de retorno. Cria-se um círculo vicioso: quanto mais gente entra no mercado, mais ele se valoriza; quanto mais se valoriza, mais gente entra.

No caso atual, a bolha foi criada no mercado imobiliário americano, antes de se disseminar por outros mercados e países. Casas e apartamentos com preços em alta serviam de garantia para financiamentos imobiliários que ajudavam a elevar os preços. A espiral culminou em financiamentos de altíssimo risco para clientes sem capacidade de pagamento.

Os participantes do mercado sabem que a festa não vai durar para sempre. Paradoxalmente, isso estimula a corrida à especulação: os investidores querem aproveitar a oportunidade antes do estouro da bolha.

Como se sabe que a situação é insustentável, o primeiro sinal --quebra de banco, disparada de uma moeda, moratória-- causa pânico geral, e todos querem fugir ao mesmo tempo e multiplicam as perdas. Decisões individuais racionais, portanto, podem levar a comportamentos coletivos irracionais.

volta

2 - Se as autoridades culpam os especuladores, por que a especulação não é coibida?

Os especuladores, tratados no coletivo e no anonimato, são bodes expiatórios convenientes quando as crises explodem. Evoca-se a antipatia dedicada aos gananciosos que desejam enriquecer sem produzir, deixando em segundo plano os questionamentos à política econômica ou à atuação dos órgãos reguladores.

Propostas para restringir a especulação são antigas e periodicamente lembradas. A mais famosa, do economista americano James Tobin, é a de criar um imposto sobre todas as transações financeiras, uma espécie de CPMF global, para tornar mais lentos e mais caros os movimentos do mercado. Nas palavras de seu idealizador, jogar 'um pouco de areia' nas engrenagens do sistema.

Passadas as crises, no entanto, as ameaças e limites impostos aos especuladores são esquecidos ou contornados. Em parte porque o setor financeiro é influente no mundo das idéias e da política, mas, principalmente, porque a especulação é um dos motores da economia de mercado.

Os especuladores --aqueles unicamente interessados em comprar e vender com lucro- viabilizam e expandem os mercados de ações, de moedas e de títulos. Se não fosse a especulação, só compraria ações, por exemplo, uma meia dúzia de fato interessada em se tornar sócia de uma empresa.

A riqueza financeira se distancia cada vez mais dos valores que enxergamos diariamente. Em 1980, o volume de dinheiro aplicado no mercado financeiro era 20% superior à riqueza produzida no mundo. Em 2006, mais de 200%.

O Produto Interno Bruto global, no período, quase quintuplicou, de US$ 10 trilhões para US$ 48 trilhões. Mais espantoso foi o salto do volume de dinheiro aplicado nos bancos, em títulos e ações, que foi de US$ 12 trilhões para US$ 167 trilhões. Mais dinheiro no mercado significa mais possibilidades de investimento e crescimento -e mais riscos também.

volta

3 - Por que os bancos quebram? Por que são socorridos?

Uma pessoa ou uma empresa quebrada é a que não consegue pagar suas dívidas. Um banco quebrado é o que emprestou dinheiro a quem não conseguiu pagar as dívidas, como mutuários do subprime americano.

O papel do sistema financeiro é intermediar o encontro entre os que desejam poupar e os que desejam investir. Sua tarefa é selecionar pessoas e empresas mais aptas a progredir e a conseguir pagar com juros o dinheiro recebido. Os menos aptos pagam juros maiores para compensar o risco.

Nos financiamentos imobiliários tradicionais, o banco empresta recursos da poupança. Para os mutuários sem emprego, sem documentos e sem garantias dos EUA, a operação foi muito mais sofisticada.

Os empréstimos serviram de base para títulos que proporcionavam a seus compradores os superjuros cobrados nos financiamentos imobiliários. De pequeno valor unitário e livremente negociáveis, títulos permitem que os credores se tornem múltiplos e anônimos.

Os títulos, por sua vez, serviram de base para derivativos, ou seja, contratos em que as partes perdem ou ganham a partir da variação de um ativo financeiro, muito semelhante a uma aposta num cassino.

A sofisticação não removeu o obstáculo mais prosaico e previsível: os pobres-coitados que habitam a economia real não puderam mais pagar as dívidas.

Administradores de poupança pública, os bancos podem provocar perdas generalizadas ao quebrar. E, quanto maior o erro, maior a chance de socorro por governos que querem evitar ou atenuar uma onda de falências e desemprego.

volta

4 - De onde os bancos centrais tiram dinheiro para injetar nos bancos?

Os bancos centrais, mesmo os que estão formalmente subordinados a governos, como o brasileiro, têm poder de decisão para movimentar diariamente enormes quantias, necessárias para a execução da política monetária, ou seja, de controle do volume de dinheiro e crédito na economia.

Dos seus superpoderes, o mais usual e importante são as operações de mercado aberto, em que se negociam títulos com bancos. Quando querem elevar a oferta de moeda e reduzir juros, os bancos centrais compram títulos --como fizeram na semana passada os seis principais BCs do mundo.

Quando se deseja um aperto monetário, como o BC brasileiro vem fazendo para conter a inflação, vendem-se títulos, e há menos dinheiro na praça. Os juros dessas operações servem de base para as demais operações da economia e, por isso, são chamados de "taxa básica".

Para regular a oferta de crédito, os bancos centrais recolhem parte dos depósitos em contas correntes e aplicações financeiras. Nos últimos dias, o BC brasileiro liberou mais de R$ 100 bilhões desse recolhimento compulsório para tentar conter queda do volume de empréstimos e financiamentos.

Por fim, os bancos centrais têm o papel de atender, a seu critério, bancos que não conseguem obter no mercado recursos para operações diárias. Por maiores que sejam, esses empréstimos à base de emissão de moeda só resolvem problemas momentâneos de liquidez.

Se o banco tem problemas patrimoniais, ou seja, se o dinheiro dos devedores for insuficiente para saldar compromissos, seus donos têm de entrar com mais capital. Se não têm dinheiro, a solução do momento é achar um sócio --o governo, ou, mais exatamente, dinheiro dos contribuintes.

volta

5 - Se as ações não estão diretamente envolvidas na crise, por que as Bolsas desabam?

Quem compra ações se torna sócio de uma empresa e, portanto, espera lucros com a expectativa de crescimento futuro da economia. Se as expectativas para os próximos meses e anos se tornam sombrias, os investidores se desfazem das ações, e o movimento de venda em massa derruba os preços.

Ainda que a maior parte dos participantes do mercado não queira relações duradouras com as empresas, mas apenas comprar e vender com vantagem suas participações, a valorização das ações depende das perspectivas para a empresa em particular e para o mercado em geral.

Ações de empresas diretamente envolvidas na crise, como as de bancos que se aventuraram no crédito arriscado ou nos derivativos a ele atrelados, tendem a cair mais, mas as demais tampouco estão a salvo.

Os mercados financeiros são interligados em todo o mundo. Um investidor que teve prejuízo com derivativos no Japão, por exemplo, pode ser obrigado a vender ações no Brasil para cobrir as perdas.

Ações são o que se chama de investimento de renda variável. Diferentemente de quem aplica na poupança ou em um CDB, os compradores de ações não sabem quanto nem quando vão ganhar. Sabem apenas que pretendem ganhar mais do que oferecem as opções conservadoras de renda fixa.

Não por acaso, há uma sucessão frenética de compras e vendas nas Bolsas, o que faz o índice geral das ações alternar altas e baixas em questão de minutos. O mercado brasileiro, com grande presença de capital estrangeiro e concentrado nas ações de poucas empresas grandes, como a Petrobras e a Vale do Rio Doce, tende a ser ainda mais volátil --ou seja, apresentar percentuais mais elevados de alta ou de baixa- do que a média das Bolsas de Valores do mundo.

Emoções à parte, quando se observa o comportamento do mercado em períodos mais longos, medidos em décadas, a tendência geral é sempre de alta -porque, afinal, também assim funciona, aos trancos e barrancos, o capitalismo.

volta

6 - Por que o governo não consegue controlar a cotação do dólar?

O câmbio é o preço mais importante da economia, mais ainda em países, como o Brasil, cujas moedas não são aceitas como pagamento de importações ou pagamento de dívidas com o exterior.

O preço do dólar afeta o comércio, a inflação, as contas do governo, o crescimento econômico e a popularidade dos governantes.

Ainda assim, o governo passou os últimos anos tentando, sem sucesso, segurar a valorização do real -e as últimas semanas tentando, também inutilmente, deter a disparada do dólar. Devido a essa incapacidade, proclama-se oficialmente, desde 1999, que o câmbio é livre no Brasil.

Não é difícil entender: o mercado de câmbio é o maior dos mercados financeiros, com movimento diário de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões que podem ir de um extremo a outro do planeta em alguns segundos.

Mesmo as nada desprezíveis reservas de US$ 200 bilhões acumuladas pelo Banco Central poderiam virar farelo se o governo tentasse, como no passado, administrar sua taxa de câmbio em um cenário de livre fluxo de capitais.

Para manter o câmbio, o governo precisa atender aos movimentos de compra e venda do mercado: se falta dólar, precisa vender suas reservas para ampliar a oferta e evitar uma disparada das cotações; se sobra, compra o excesso para manter o preço estável.

Nos últimos meses de câmbio administrado, o país precisava paralisar sua economia com juros de 40% ao ano na tentativa de atrair os dólares necessários.

Mas esse não é um caso de incompetência nacional. Os Estados Unidos e o Japão adotaram o câmbio flutuante na década de 70, e a Europa, nos 90.

Onde houve liberdade, o fluxo de capitais derrubou o sistema de cotações que havia sido acertado entre os países na conferência de Bretton Woods, em 1944 -a última iniciativa de controle das finanças globais, sempre lembrada em tempos de crise e esquecida logo depois.

volta

7 - O que acontece em uma recessão?

Uma recessão começa quando investidores acreditam que a hora não é boa para investir e consumidores crêem que a hora não é boa para consumir. E, na tentativa de protegerem sua riqueza, todos empobrecem.

O desalento não é um mero estado de espírito. Empresas e famílias afetadas pela crise perderam efetivamente condições de investir e consumir, como os donos de ações e imóveis que perderam valor. Não se trata de um caso em que uns perdem e outros ganham, num jogo de soma zero: essa riqueza simplesmente desapareceu.

Quando não se confia no futuro, o medo toma o lugar da ganância. Evita-se emprestar dinheiro e procura-se poupar para dias difíceis. Mas, com a retração de investimento e consumo, empresas vendem menos; com a queda nos lucros, há mais demissões; com menos renda, as famílias cortam o consumo, e o ciclo recomeça.

Tecnicamente, os economistas consideram que há uma recessão quando o PIB (Produto Interno Bruto) cai por dois ou três trimestres consecutivos. Quando se imagina uma queda profunda e prolongada do PIB, fala-se, mais dramaticamente, em depressão --mas, após a década de 30, nenhum período da história econômica mundial chegou a merecer o termo.

Recessões mundiais são raras: na história recente, não há casos de anos em que o PIB global tenha terminado menor do que começou. Em 1982, em meio à crise da onda de calotes do Terceiro Mundo, a economia mundial cresceu 0,9%, e desde então não houve resultado pior. No Brasil, a pior recessão ocorreu em 1990, quando o Plano Collor confiscou depósitos bancários e o PIB caiu 4,4%.

8 - Por que o Brasil tende a crescer menos?

Depois de dois anos seguidos de expansão econômica na casa dos 5%, o governo já decretava que fazia parte do passado a comparação entre o crescimento brasileiro e um vôo de galinha. Agora, a galinha está prestes a pousar mais uma vez.

Não há, até o momento, previsões de recessão, mas é consensual que os percentuais de crescimento serão mais modestos em 2009. Andar mais devagar não é tão ruim quanto andar para trás, mas os efeitos econômicos e políticos são da mesma natureza.

O Brasil já sofre com a retração mundial do crédito. Boa parte do dinheiro emprestado aqui dentro é obtida lá fora. Com recessão nos Estados Unidos e na Europa, encolhe o mercado para as exportações brasileiras, que também cairão de preço. Multinacionais tendem a cancelar ou adiar planos de expansão no país.

Outra ameaça é a recente disparada do dólar, que não se sabe onde ou quando vai parar. Se o dólar se mantiver alto, importações ficarão mais caras e a inflação tenderá a subir. Nesse caso, o Banco Central, na contramão do resto do mundo, poderá optar por subir ainda mais os juros e conter o consumo, o investimento, o crescimento e os preços.

volta

9 - Por que as empresas brasileiras que nada têm a ver com as origens da crise tiveram prejuízos milionários?

Empresas entram no mercado de derivativos para se protegerem de perdas, enquanto os especuladores assumem os riscos para ganhar. Sadia, Aracruz e Votorantim --entre muitas outras, teme-se-- acabaram participando de uma tentativa de fazer as duas coisas.

Embora o nome cause estranheza, derivativos fazem parte do cotidiano de quem faz, por exemplo, o seguro de um automóvel. O dono do carro não quer sair mais rico do negócio; quer simplesmente uma operação que, se for preciso, renderá dinheiro suficiente para cobrir possíveis prejuízos de sua atividade de motorista. É o que se chama de hedge.

Na outra ponta da operação, está um especulador apostando que o carro não será batido nem roubado, a seguradora. Se a aposta estiver correta, ela ficará com o prêmio pago pelo dono do carro.

Os demais derivativos podem ser mais complexos, mas seguem os mesmos princípios. Empresas exportadoras, com receita em dólar, buscam se proteger de uma desvalorização vendendo a moeda americana no mercado futuro por uma cotação considerada razoável. Se o dólar mudar de patamar, a perda em receita será compensada pelo derivativo.

Como o dólar caía sem parar, os bancos passaram a oferecer às empresas operações que prometiam ganhos superiores ao necessário para cobrir riscos de perdas. O que era hedge virou especulação. E dava lucro, até a crise provocar uma alta inesperada do dólar -que, se não for revertida, poderá revelar mais empresas no jogo e perdas maiores.

volta

10 - Quais são as opções do governo brasileiro para lidar com os efeitos da crise?

A primeira reação do governo tem sido tentar evitar ou atenuar a secura de crédito, cuja expansão foi um dos motores da economia brasileira nos últimos anos, embora retórica oficial prefira dar mérito ao PAC.

Mas, como aconteceu em todas as crises recentes, o país pode ser obrigado a escolher entre crescimento e inflação --sacrificar o primeiro para evitar a segunda ou, na alternativa menos conservadora, tentar acelerar um correndo o risco de impulsionar a outra.

No primeiro caso, a receita é conhecida: os juros são mantidos ou até elevados, e o mesmo é feito com a meta de superávit primário (a parcela da arrecadação tributária destinada ao abatimento da dívida pública). As medidas reduzem o consumo público e privado, esfriam a economia e ajudam a impedir que a alta do dólar se transforme em aumento da inflação.

Esse era o cenário traçado antes do agravamento da crise, quando as atenções do governo se voltavam para a rápida piora da balança comercial, efeito colateral do consumo em alta. O projeto de Orçamento de 2009 já contempla a possibilidade de aumentar superávit primário.

Mas a perspectiva de contração econômica acima do esperado levou setores menos ortodoxos da equipe econômica a falar, até aqui no anonimato, em medidas pró-crescimento, de mais gastos públicos, menos impostos e menos juros. É o que os economistas chamam de política anticíclica: quando a economia vai bem, o governo faz mais economia; quando vai mal, gasta-se. No caso brasileiro, já não há mais tempo para a primeira parte do plano.

Ursula Mayes

Governo vai lançar campanha publicitária para animar consumidor

BRASÍLIA - O governo vai lançar campanha publicitária em dezembro para estimular o consumo. A campanha terá o objetivo de afastar o temor da crise do consumidor, sob o slogan: "O mundo aprendeu a confiar no Brasil e o Brasil confia nos brasileiros". A informação foi dada pelo ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, após a reunião ministerial na Granja do Torto.

Ele explicou que a idéia é mostrar o quanto o consumidor é um agente importante para fazer a economia girar. "Vai mostrar para o cidadão que se ele fica temeroso, a economia vai se retrair", explicou Franklin. Ou seja, o Palácio do Planalto vai colocar em propaganda formatada os estímulos ao consumo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido nos últimos dias em discursos e entrevistas, para evitar maior desaceleração da atividade no país em 2009. O temor do governo é a perda de confiança do brasileiro no cenário benigno de alta de renda e emprego, que se registrava antes da piora na crise financeira mundial em setembro último.

"Quando tem uma crise, ela balança a confiança", disse o ministro, e a campanha buscará "recuperar a confiança dos consumidores", continuou. "Por isso é preciso estimular", completou.

Four at Four: All Is Forgiven

Four at Four: All Is Forgiven

alwaleed_art_257_20081124161724.jpg
MarketBeat is more interested in the opinion of Prince Alwaleed bin Talal’s camels and horses. (Source: CNBC)
  • The market unambiguously voted for more bailouts Monday, as investors sent shares soaring in a rollicking session that piggybacked on the news of a federal bailout for Citigroup Inc., one that will guarantee a nice sum of capital for the company, handle several billion dollars of losses, and not wipe out the equityholders in the process. The deal fell short of the putative structure that wiped out the common equity of AIG and the government-sponsored entities, and so Citigroup’s shares gained 58%, with more than 700 million shares changing hands on the Big Board. “They’ve managed to craft a solution that in some way, shape or form, managed not to totally torch any of the stakeholders,” says Mitch Stapley, chief fixed income officer at Fifth Third Asset Management. The banking stocks on their own rallied by 20% (even though that still leaves them substantially lower in November) and the strength was witnessed across all sectors as the Standard & Poor’s 500-stock index has managed to tack on a mere 14% over a two-day trading period. “We had the aggressive selloff from last week, which broke through old support levels, and came amid a lot of talk and no action from Congress — a deadly combination for the market,” says Alan Gayle, senior investment strategist at RidgeWorth Capital Management in Atlanta. “It was a series of favorable events following a very difficult week.”
  • Hmmm

  • Activity in the credit markets suggested an improvement in tone as well. Credit-default swap spreads improved across the spectrum. Credit Derivatives Research’s counterparty index, an index tracking 15 major financial institutions,saw its average cost for insurance against default decline to $267,200 Monday from $299,600 Friday, suggesting investors were more comfortable with the outlook for the banks. The two-year Treasury auction was a bit soft, also reflective of more comfort with risk elsewhere, and Mr. Stapley says the corporate markets saw a decent amount of buying from investors, who are looking at historic spreads in a number of markets. “At the end of this 15-month nightmare, you take one day at a time, and it’s a little better day than Friday was,” he says. That’s not to say these markets have snapped back, as Todd Youngberg, head of high yield at Aviva Capital Management noted that the average high-yield spread over Treasurys is about 20 percentage points, which is suggestive of default rates in the range of 22% or so, which is worse than the 1930-1933 period, when about 15% to 16% of issues defaulted. “We’re pricing in all-time highs in default rates so we’re expecting defaults to come through the marketplace, but we feel they’re more than priced in,” he says.
  • Crude Oil

  • The energy markets responded smartly to the strength in stocks and the weakness in the dollar Monday. The last few weeks has seen energy commodities led around by the equity market as investors responded to stock-market weakness by reducing expectations for economic growth — which would theoretically translate to lower demand for energy products. Oil’s 9.15% rise to $54.50 was the largest dollar and percentage gain since November 4, and RBOB gasoline and heating oil also saw their biggest gains since that date as well. “Whether or not we can sustain a real rally remains to be seen,” says Tom Bentz, director and senior energy analyst at BNP Paribas Commodity Futures. “I’m not sure the real long-term sentiment has changed yet but oil has fallen $100 off the highs — so I’m not sure we have a whole lot more downside to this.” Also on investors’ minds: a forthcoming OPEC meeting, where production levels could be slashed, and expectations of this — along with the recent fall — resulted in a change in outlook from large speculators, who collectively turned positive on crude oil. According to the Commodity Futures Trading Commission, large specs held a net long position of 10,985 contracts as of Nov. 18, compared with a net short position of 52,984, which was the largest short position of the past 52 weeks. “There’s perhaps a shift in psychology from the short side to the long side,” Mr. Bentz says.
  • soup_art_257_20081124162335.jpg
    This is a lot of soup. (Andy Warhol/Wikipedia.com)
  • Chicken soup may be good for the soul, but it does not contain any properties that help effectively hedge against swings in commodity prices.Campbell Soup Co. fell 7.6%, one of the day’s bigger losers, even though the company said sales rose 12% in its fiscal first quarter, but ended up seeing a 3.7% decline in net income. Part of this was due to a $260 million loss related to hedging. But analysts questioned why the company’s profitability in its condensed soup business wasn’t better, particularly as “everybody on the planet knows that that US condensed business has got to be one of the highest margin businesses in the world,” said Eric Katzman, analyst at Deutsche Bank, on the Campbell conference call Monday. Part of the slim profits recorded had to do with foreign-currency adjustments and aggressive marketing, leading analysts at Janney Montgomery Scott to assert that the outlook was “encouraging,” as commodity costs would soon be offset by pricing.
  • Technical ANlaysis Stock market Review 11/24/08

    segunda-feira, 24 de novembro de 2008

    In-Depth Look: Obama Announces Economic Team

    Market Outlook 24/11/2008

    Market Outlook

    A economia mundial em 2009

    Luiz Carlos Mendonça de Barros

    Chegamos ao último mês de 2008 com uma crescente sensação de incerteza e de medo dominando os mercados. Nas últimas semanas, mesmo as pequenas vitórias alcançadas recentemente pelos bancos centrais das maiores economias do mundo, parecem em perigo. Voltamos no tempo, com a especulação com as ações dos maiores bancos dos Estados Unidos de novo na ordem do dia. Da mesma forma, os prêmios de risco nos mercados de crédito privado, depois de um período de calma, estão em forte elevação novamente.

    A crise financeira espalha-se como uma metástase, levando pânico aos mercados e arrastando em sua marcha as maiores economias do mundo. As revisões para baixo do crescimento em 2009 ocorrem com uma freqüência e intensidade assustadora. Na Europa, as pesquisas sobre a atividade industrial em novembro - os chamados PMI - apresentaram resultados decepcionantes. O PIB do espaço europeu deve cair mais de 2% (taxa anualizada) no último trimestre do ano. Nos Estados Unidos as informações mais recentes sobre o mercado de trabalho e a atividade industrial são catastróficas e o PIB pode cair até 5% no quarto trimestre. As projeções para a taxa de desemprego em 2009 já atingem a incrível cifra de 8,5%.

    No mercado financeiro já há análises que contemplam o cenário de depressão econômica como uma possibilidade concreta. Especula-se sobre qual seria o papel das autoridades monetárias em uma situação como esta e a necessidade de uma articulação dos governos, muito mais forte do que a que foi desenhada no último encontro do G-20, fica mais nítida. A queda vigorosa dos juros dos papéis públicos no G-7 é a evidência que o mercado considera seriamente os riscos de economia em depressão. Os juros de intervenção do Banco Central devem ir a zero nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas se este cenário vingar.

    Outro sinal claro de que uma depressão passa a ser vista como possível é a queda das cotações do petróleo e de seus derivados. O mesmo ocorre com outras commodities importantes. No mesmo sentido, os últimos dados nos Estados Unidos parecem indicar que as empresas estão adotando uma política mais agressiva de redução de seus efetivos. Os números de inflação para os próximos meses devem caminhar certamente para o território negativo.

    Estes são indicadores fortes na direção de uma mudança importante no grau da desaceleração econômica que se espalha pelo mundo. Sabemos que existe grande diferença entre uma recessão e uma depressão econômica. Em particular, a deflação de crédito leva a economia a sofrer descontinuidades, com oscilações grandes na produção e no emprego. O manual de sobrevivência a uma recessão normal é conhecido por muitos e já provado em vários momentos; no caso de uma espiral de deflação de crédito os ensinamentos e procedimentos conhecidos e testados são poucos e os resultados concretos - como no caso do Japão - decepcionantes.

    Na hipótese de uma depressão o grau de articulação das políticas econômicas das maiores economias do mundo deve ser muito maior do que a atual. O receituário definido na última reunião do G-20 em Washington pode ser o ponto inicial para uma ação no caso de recessão econômica de proporções intermediárias. Mas certamente é muito pouco para enfrentar um cenário de depressão. Como sempre ocorre quando se tem necessidade de ações políticas dos governos, o risco hoje é disto ocorrer apenas quando for muito tarde.

    As lições de 2008 são muito fortes. Não estaríamos vivendo o risco de uma depressão se o comportamento dos governos - principalmente a Casa Branca - tivesse sido diferente. Mesmo os bancos centrais sempre estiveram correndo atrás dos fatos. Não existem mais dúvidas de que a falência do banco de investimento Lehman Brothers foi o momento em que a crise bancária mudou de qualidade e intensidade.

    Mas outros momentos de indecisão e leitura errada da crise ocorreram também. Cito a que mais me incomoda hoje: em março passado um grupo de membros da Câmara de Representantes dos Estados Unidos produziu uma proposta para diminuir o número de foreclosures (retomadas de casas com hipotecas inadimplentes) e estabilizar o mercado de hipotecas. O presidente Bush por razões ideológicas, com sua ameaça de veto, paralisou o processo de aprovação. Somente na próxima legislatura e com um novo presidente na Casa Branca é que se deve chegar a um bom termo nesta questão. Cabe aqui a expressão inglesa: Too Little Too Late.

    Com o governo Bush paralisado e, com o presidente eleito Barack Obama ainda montando sua equipe de governo, viveremos nas próximas semanas um vazio de poder muito perigoso. A economia tem um tempo seu e deve passar por um período de desaceleração ainda maior até que a Casa Branca volte a liderar um processo de estabilização difícil e incerto. Fora dos Estados Unidos, passado o encontro do G-20, os governantes voltaram a lidar com seus problemas domésticos. Isto é muito assustador.

    Tenho algumas referências para acompanhar esta possível transição de uma grave recessão econômica para uma verdadeira depressão. Um deles, de mais curto prazo, é o chamado CRB, índice que representa uma cesta das mais importantes commodities negociadas. Até o limite de 250 estaremos vivendo o cenário de recessão econômica cíclica. Se o CRB vier abaixo de 200 estaremos certamente cruzando a fronteira tão temida.

    O que representam para o Brasil estes dois números de referência? Se o CRB se mantiver perto de 250 podemos esperar uma desaceleração de nosso crescimento para algo próximo a 2,5% em 2009, com o PIB voltando a crescer cerca de 4% em 2010. Mas se o CRB cair abaixo do número mágico de 200, o cenário para nossa economia será muito mais agressivo. O Brasil depende hoje de exportações de commodities para financiar um fluxo importante de importações, sem criar um déficit muito grande em suas contas externas. Com um colapso ainda maior de commodities seria necessária uma redução bastante significativa de nossas importações para que isto fosse conseguido. A solução deste quebra cabeça só seria possível com um crescimento inferior a 2%.

    Quando escrevo esta coluna o CRB está a 232...

    Analistas prevêem tempos difíceis para a AL

    Sergio Lamucci, do Rio

    O Brasil e outros países da América Latina vão enfrentar tempos muito difíceis em 2009, sofrendo o impacto da turbulência que continua a assolar os mercados financeiros e da forte desaceleração econômica nos países desenvolvidos. A região terá de se habituar a um período considerável de escassez de capitais e a preços de commodities mais baixos, combinação que implicará taxas de crescimento bem mais modestas do que as registradas nos últimos anos, advertiram vários dos participantes do Encontro Latino Americano da Sociedade Econométrica (Lames, na sigla em inglês) e da Associação de Economia da América Latina e do Caribe (Lacea), realizado no Rio de quinta a domingo.

    Um forte pessimismo em relação à situação da economia global foi a tônica dominante dos debates, o que se traduziu em visões bastante negativas para o futuro próximo da América Latina. Para o presidente da Lacea, Mauricio Cárdenas, uma parada súbita no fluxo de capitais para a região está próxima ou talvez já esteja em curso, um movimento que ajuda a explicar as fortes desvalorizações cambiais que atingiram países como o Brasil nos últimos meses. Se o canal financeiro está travado, as perspectivas tampouco são animadoras do lado da economia real. Cárdenas lembrou que os preços das commodities recuaram 16% no último mês, uma péssima notícia para uma região em que os produtos primários respondem por cerca de metade da pauta de exportações - no caso do Brasil, a 53,5%, segundo ele.

    Também membro do Brookings Institute, Cárdenas destacou que o comportamento da economia chinesa será crucial para as perspectivas econômicas latino-americanas, dado o apetite da China por commodities. Como as perspectivas para as exportações da China não são das melhores e boa parte dos investimentos é feita em setores exportadores, o país pode sofrer uma desaceleração significativa do crescimento em 2009.

    Charles Calomiris, da Universidade de Columbia, mostrou a mesma preocupação com o país asiático, acrescentando que a China funciona como um bom "indicador antecedente" do que vai ocorrer na América Latina. "A China é de fato um bom indicador para a conta corrente da região. Para a conta de capitais, o indicador antecedente é Nova York", completou Cárdenas.

    A situação financeira global está longe de ser tranqüila, destacaram vários analistas. O economista Michael Dooley, da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz (EUA), disse que houve alguma estabilização nas últimas semanas da situação dos bancos nos EUA e na Europa, mas o panorama para o sistema financeiro "fora dos bancos" continua complicado. Por estarem mais protegidos, os bancos acabam "sugando" recursos de outras partes do sistema financeiro e de países que estão fora dessa rede de proteção.

    Esse fenômeno ajudaria a explicar a onda de depreciação do câmbio em muitos países emergentes. Ao comentar a desvalorização do real, Dooley afirmou que se trata de um processo que não deriva de um problema do Brasil, mas sim de um movimento "geral e severo" de desalavancagem (redução de endividamento e crédito) de ativos financeiro no mundo inteiro. Num cenário de incerteza como esse, pouco importa se o país tem US$ 200 bilhões de reservas e segue políticas saudáveis.

    O economista Ricardo Hausmann, da Universidade de Harvard, também vê dias difíceis para a América Latina, mas acredita que a reação será bem diferente no caso dos "bons e dos maus sujeitos". Bons sujeitos como Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, que mantiveram políticas fiscais e monetárias responsáveis, sofrerão um pouco e terão algumas dificuldades, mas não terão os problemas drásticos de Venezuela e Argentina, disse o venezuelano Hausmann. Para ele, esses dois países terão momentos muito difíceis pela frente, dada a adoção de políticas populistas nos últimos anos.

    No Congresso realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), discutiu-se bastante se os países latino-americanos têm espaço para adotar estímulos fiscais e monetárias para contrabalançar os efeitos da crise, como têm feito os países desenvolvidos. Em geral, aumentos de gastos públicos foram vistos com reservas - o ideal seria contê-los, até para permitir reduções de juros caso não surjam pressões inflacionárias relevantes.

    Márcio Garcia, da PUC-Rio, seguiu essa linha de argumentação para o caso brasileiro. Ele ressaltou que, como os gastos correntes (pessoal, aposentadorias, custeio da máquina pública, programas como o Bolsa Família) já vêm crescendo com força nos últimos anos, seria uma má idéia aumentá-los. Se alguma despesa tiver de crescer, que sejam os destinados a investimentos - o problema é que o governo demonstra dificuldades gerenciais em elevar as inversões, disse ele. Com isso, a melhor estratégia seria conter a expansão dos gastos correntes, o que pode abrir espaço para o uso da política monetária.

    O ex-diretor do Banco Central (BC) Ilan Goldfajn, sócio da Ciano Investimentos, também disse que o país não deve adotar medidas de estímulo fiscal. Num cenário em que as receitas do governo tendem a cair devido à desaceleração da atividade econômica, seria uma péssima idéia elevar despesas que possam comprometer o cumprimento de metas fiscais. Segundo Goldfajn, se a arrecadação cair com força e tiver ocorrido aumento expressivo dos gastos, podem voltar a surgir dúvidas quanto à sustentabilidade da dívida pública, que, para ele, não "é tão pequena como muitos acreditam" - está hoje na casa de 40% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Num momento de crise, isso seria o "beijo da morte", disse Goldfajn. Para ele, se houver espaço para o Brasil fazer políticas contracíclicas, o ideal é que seja por meio da política monetária. Como os juros reais ainda são muito elevados, o país pode ter aí um instrumento mais eficaz para estimular a atividade econômica caso a desaceleração da economia seja significativa. Goldfajn lembrou que a queda dos preços das commodities terá um impacto favorável para o controle da inflação, provavelmente compensando os efeitos negativos do dólar mais caro.

    Cárdenas também acredita que, no curto prazo, é mais eficiente usar a política monetária do que aumentar os gastos públicos. Se algo for feito em termos de política fiscal, o ideal é que seja um estímulo temporário - e voltado para investimentos, afirmou ele.

    Minha lista de blogs