sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Não leve a sério as previsões muito esquizofrênicas

Rodrigo Constantino

"O futuro está em aberto; não é predeterminado e, deste modo, não pode ser previsto, a não ser por acidente." (Karl Popper)

A mania dos seres humanos de tentar prever o futuro, de preferência exagerando para o bem ou para o mal, é no mínimo tão antiga quanto o Antigo Testamento. O nome de Malthus logo vem à mente quando pensamos em previsões pessimistas para o futuro da humanidade. Esta tendência não é exclusividade daqueles que antecipam um apocalipse. Muitos extrapolam uma fase de bonança também, imaginando um "novo paradigma" onde as crises seriam coisas do passado. Essas oscilações pendulares de humor são potencializadas no mercado financeiro, onde tudo parece ocorrer mais rápido. O "guru" de Warren Buffett, Ben Graham, costumava dizer que investir é como ter um negócio com o Senhor Mercado, um maníaco-depressivo cujo humor oscila radicalmente entre medo e entusiasmo.

Nada disso é novidade. Durante o boom da década de 1920, vários "profetas" extrapolaram o cenário positivo pouco antes do maior crash da história. O economista John M. Keynes teria dito em uma conversa com Felix Somary em 1927 que não haveria mais crashes durante seu tempo. Myron E. Forbes, o então presidente da Pierce Arrow Motor Car Co, afirmou que não haveria interrupção alguma da prosperidade permanente da nação no começo de 1928. O renomado economista Irving Fisher foi autor da infeliz declaração de que o preço das ações tinha atingido aquilo que parecia um permanente e elevado patamar. Ele disse isso em 1929! A Harvard Economic Society (HES) escreveu em novembro de 1929 que acreditava no caráter temporário da queda das ações, considerando uma depressão séria como algo improvável. Como fica claro, vários especialistas sucumbiram à tentação de colocar a esperança acima do realismo e fizeram previsões otimistas que se mostraram totalmente infundadas.

Do lado dos eternos profetas do apocalipse, existem inúmeros exemplos também. Em 1856, em plena crise econômica, Fredrich Engels escreveu para seu amigo Marx que ao longo do ano seguinte haveria "um dia de fúria como jamais ocorrera". Ele previa que "toda a indústria européia irá ruir". E antecipava: "as classes proprietárias em apuros, completa falência da burguesia, guerra e devassidão ao enésimo grau". Desde então, vários marxistas antecipam o fim do capitalismo em cada nova crise econômica, apenas para ver seus sonhos esfarelarem uma vez mais. Como perguntou Thomas Sowell, por que ainda entramos em pânico quando escutamos previsões terríveis de grupos que estão no negócio de fazer previsões terríveis?

Várias pesquisas realizadas mostraram que os seres humanos de fato apresentam tendência para extrapolar o cenário atual, após algum tempo de ceticismo. Antes tem a fase de conservadorismo, onde os novos dados são vistos com desconfiança. Em seguida, vem a fase de extrapolação do histórico recente, quando o caos parece ordenado num padrão conhecido. Isso normalmente acontece com os resultados trimestrais de empresas com o capital aberto.

Quando uma seqüência de bons resultados ocorre, os investidores costumam levar algum tempo até incorporar essa tendência nas estimativas, mas, depois disso, eles extrapolam a tendência até a perpetuidade. O resultado desta característica demasiadamente humana costuma ser um aumento expressivo do volume negociado, justamente perto do topo dos mercados, quando a alta se torna exponencial. Muitos investidores abraçam tardiamente a tese de "novo paradigma", e projetam uma contínua era de ouro. A ganância domina o medo e, quando o cenário é revertido, vários investidores são pegos em cheio na contramão.

Mas, felizmente, o contrário também é verdadeiro. Após um período de pânico, onde o preço das ações despenca, muitos investidores jogam a toalha, abraçam o pessimismo e extrapolam o caos momentâneo. Alguns chegam a questionar a sobrevivência do sistema capitalista ou até da humanidade. Uma nova Idade das Trevas parece iminente. E justamente quando quase todos estão adotando esse tom catastrófico, as coisas começam a melhorar. As previsões escatológicas acabam refutadas uma vez mais.

Não é possível saber exatamente em qual ponto estamos atualmente. A crise sem dúvida é muito séria, a mais grave desde 1929. Acertar quando será o fim do poço é um exercício de pura adivinhação. O futuro é incerto. Mas uma previsão parece ser mais segura: não será o fim do mundo, nem do capitalismo. Não devemos levar tão a sério assim certas previsões esquizofrênicas demais.

Expectativa de vida cresce e eleva necessidade de poupar

Por Alessandra Bellotto, de São Paulo

As pessoas estão vivendo mais e tendo menos filhos. Conclusão, a população está envelhecendo, o que torna o futuro bastante desafiador. Sem um sistema público de previdência que suporte o risco da longevidade, só há uma saída: poupar mais para os anos extras que serão gastos na terceira idade. O alerta, que vale para o mundo todo, está em uma recente publicação da resseguradora suíça Swiss Re. No Brasil, os dados divulgados no início do mês pelo IBGE só reforçam essa necessidade. As projeções do instituto indicam que a população brasileira vai parar de crescer a partir de 2039, por conta do aumento da esperança de vida e da queda da taxa de fecundidade.

Desde o início da década de 40, a expectativa de vida do brasileiro ganhou mais 27,2 anos, passando de 45,5 anos de idade para 72,7 anos em 2008. E vai continuar aumentando, graças aos avanços da medicina e à melhoria na qualidade de vida da população. Em 2050, segundo as projeções do IBGE, a esperança de vida ao nascer será de 81,29 anos. Na outra ponta, a taxa de fecundidade no Brasil, que já foi de 5,3 filhos na década de 70, vem diminuindo ao longo dos últimos anos e hoje já está abaixo do nível de reposição - assim como nos países do G7. Hoje, segundo o IBGE, a taxa estimada para o país é de 1,86 filho por mulher, relação que deve cair para 1,50 entre 2027 e 2028.

De acordo com a publicação da Swiss, esse é um fenômeno mundial. Na Europa, a esperança de vida ao nascer aumentou de 66 anos em 1955 para 74 anos em 2005. O crescimento foi ainda maior nos países em desenvolvimento. Na China, nesse mesmo período, a expectativa de vida pulou de 45 anos para 73 anos. Hoje, é de 82,20 anos.

Esse quadro demógrafo tem impacto direto sobre o sistema público de previdência, destaca o vice-presidente da Swiss Re no Brasil, Henrique Abreu de Oliveira. De um lado, há o crescimento da parcela da população em fase de receber o benefício da aposentadoria. Do outro, o número de jovens que contribuem para a previdência pública vem caindo. Oliveira ressalta ainda que o benefício público tem sido cada vez menor. "Hoje, não há quem consiga se aposentar com 100% do último salário", diz. Ainda segundo ele, estimativas da OCDE apontam que um indivíduo, em muitos países, vai se aposentar com 40% a 60% do último salário, bem abaixo dos 70% da taxa de reposição considerada ideal por especialistas.

Com o sistema público sob pressão, o risco da longevidade é todo do indivíduo. O grande desafio, aponta o executivo, é definir o volume de poupança necessário, até porque ninguém sabe quanto tempo vai viver. A resposta mais lógica, destaca a publicação da Swiss Re, seria economizar mais. Os dados mostram, no entanto, que nos países desenvolvidos, com exceção de França e Alemanha, o percentual do orçamento destinado a formar uma reserva financeira vem diminuindo. Nos Estados Unidos, o percentual passou de 6% no período entre 1991 e 1995 para 3% entre 1996 e 2000, caindo mais um pouco entre 2001 e 2005, para 2%. No Japão, a taxa, que era de 15% entre 1991 e 1995, caiu para 4% de 2001 a 2005.

"As pessoas tendem a subestimar seu tempo de vida e suas necessidades, assim como superestimam sua capacidade de continuarem trabalhando", afirma Oliveira. Além da necessidade de poupança para viver um tempo maior como aposentado, o executivo cita outros dois riscos a serem administrados pelo indivíduo, o de aumento dos gastos com saúde na terceira idade e o de a inflação corroer suas reservas. "Uma das saídas é a previdência complementar", destaca.

Oliveira afirma que as seguradoras têm total condição de lidar com a questão. Não só com produtos tradicionais de acumulação de recursos e compra de renda vitalícia - como os PGBLs e VGBLs no Brasil -, mas também com seguros que incluam assistência de longo prazo para pessoas que perderem a capacidade de realizar as tarefas do dia-a-dia. Há ainda as hipotecas reversas, que permitem levantar uma renda em cima do imóvel. No Brasil, a previdência privada é relativamente nova. "A consciência da necessidade de poupar para o futuro é recente; não há uma geração inteira sequer vivendo da previdência privada."

À espera da Opep, Petrobras se salva

Daniele Camba

Fazia tempo que não se via uma semana tão benigna para as ações da Petrobras. Muito pelo contrário. Com o processo de queda livre do preço do petróleo, que chegou a ser negociado acima dos US$ 140 o barril não faz muito tempo, os papéis da companhia vêm sofrendo muito. Esse movimento mudou de rota e ontem as preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal, que chegaram a subir mais de 7% durante o pregão, fecharam em alta de 1,77% e as ordinárias (ON, com direito a voto), 1,01%. Só nos dois últimos dias, as PN se valorizaram 11,04% e as ON, 11,28%. Como a Petrobras ainda é a companhia mais importante dentro do Índice Bovespa, ontem o indicador passou o dia no campo positivo e só caiu nos últimos minutos de pregão, logo após o anúncio do pacote de medidas do governo para incentivar a economia. O Ibovespa fechou em queda de 1,24%, aos 38.519 pontos.

Exatamente ontem, a Agência Internacional de Energia disse que o consumo diário de petróleo este ano ante 2007 deve cair 200 mil barris ou cerca de 0,2%. É uma queda imperceptível, mas que se torna preocupante já que é a primeira redução nos últimos 25 anos. Contraditório as ações da Petrobras subirem logo ontem, não? Seria se houvesse apenas essa notícia, o que não ocorreu.

Ontem, o petróleo subiu de forma acentuada e foi isso que falou mais alto no comportamento dos papéis da Petrobras. O contrato futuro mais líquido da commodity do tipo WTI, negociado em Nova York, subiu 10,47%, aos US$ 50,84 o barril. É a maior alta percentual desde 21 de outubro de 1999, quando o petróleo subiu 11,93%. Além disso, é a maior cotação desde 28 de novembro, quando fechou negociado a US$ 55,82. A commodity voltou a subir com a expectativa crescente de que na próxima reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), no dia 17 deste mês, o bloco faça um corte significativo na produção. Com uma oferta bem menor, é provável que haja um aumento de preços mesmo com a intensa desaceleração da economia mundial.

Na última reunião apenas dos produtores árabes, em novembro, já se esperavam cortes na produção, que acabaram não ocorrendo. "Essa decisão só acentuou as quedas do preço do petróleo", diz o chefe de análise da Link Investimentos, Andrés Kikuchi. Ele acredita que a Opep também fará reuniões extraordinárias antes mesmo do primeiro encontro marcado para o ano que vem, em 15 de março, para executar outros cortes na produção. "Os países produtores não têm interesse em deixar o petróleo cair abaixo da casa dos US$ 40 e vão começar a agir para que isso não aconteça", diz. Ele acredita que a commodity pode voltar para níveis de US$ 60 nos próximos 12 meses.

A questão é saber se a reversão da atual tendência de queda do petróleo é suficiente para carregar junto as ações da Petrobras. Qualquer resposta depende de outros fatores, entre eles, como ficará o plano de investimentos da companhia para os próximos anos, cuja decisão está marcada para o dia 19 deste mês. Se o petróleo permanecer em níveis mais baixos, a Petrobras terá um fluxo de caixa menor para bancar os seus investimentos, o que em última instância pode significar a necessidade de novas captações de recursos e até de um aumento de capital. "Essa é a hora de a empresa avaliar quais investimentos são interessantes para serem feitos nesse momento adverso", diz Kikuchi. Com todas essas incertezas, ele não recomenda as ações da Petrobras neste momento.

Varejo em destaque

Faltando menos de uma hora para o fim do pregão, o quadro da bolsa mudou bastante graças ao anúncio de medidas do governo para estimular a economia. Entre as iniciativas estão: criação de duas alíquotas de Imposto de Renda para pessoa física, redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis, queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em operações de crédito para pessoa física, além da autorização para o Banco Central emprestar parte de suas reservas a bancos que direcionem o dinheiro para empresas com dívida externa. Com a expectativa de que o pacotão surta efeito, as ações ligadas ao mercado interno, como varejo e setor imobiliário, foram as maiores altas do Ibovespa, roubando o lugar que até então era da Petrobras.

Visa amplia investimentos em futebol

Altamiro Silva Júnior, de São Paulo

No país do futebol, a bandeira de cartões de crédito Visa resolveu apostar no esporte para ganhar mercado e divulgar sua marca. A partir de janeiro, torcedores (e não torcedores) do São Paulo vão poder usar o cartão de crédito para entrar nos jogos no estádio do Morumbi. O próprio plástico é o bilhete de entrada.

A aposta da Visa é em novos usos para o tradicional cartão de crédito e em novas formas de pagamento, como o uso do celular para pagar pequenas compras. A bandeira testa um cartão que faz pagamento por proximidade (sem contato), em parceria com o Bradesco, e o uso do celular como meio de pagamento (com o Banco do Brasil).

Segundo Rubén Osta, novo diretor geral da Visa do Brasil, o objetivo é estimular as pessoas a usarem os meios eletrônicos de pagamento em todas as situações. O cartão sem contato, diz ele, já provou ser viável e a intenção agora é ir além do teste e usar comercialmente o produto.

O Brasil é a maior prioridade mundial da bandeira entre os países emergentes. A Visa elegeu cinco países prioritários para investir e buscar expansão de negócios. Além do Brasil, há os outros Bric (China, Índia e Rússia) e o México.

No futebol, o projeto é mais ambicioso. Em 2007, a maior bandeira de cartões do mundo começou a testar em Santa Catarina um projeto desenvolvido inteiramente no Brasil para a venda de ingressos para o estádio do Figueirense, em Florianópolis. A estratégia deu certo e o modelo foi para outros estádios. Chegou este ano ao Parque Antártica (Palmeiras), Estádio João Havelange (Botafogo), Estádio do Canindé (Portuguesa) e na Vila Belmiro (Santos). O próximo passo é o Morumbi e a "exportação" da estratégia para outros países.

O Visa Pass First é um serviço que permite a compra de ingressos pela internet. A diferença é que o próprio cartão é o passe de entrada para os estádios, por meio de uma catraca própria. A bandeira também reservou áreas próprias para seus clientes, dispostos a pagar mais caro para ficarem em um lugar com melhor visibilidade e banheiros limpos.

Em menos de um ano, foram 128 mil cadastrados no projeto, a maioria do Palmeiras (80 mil). Com o São Paulo, espera-se que este número cresça ainda mais. Mesmo sem ter iniciado os serviços, já são 8 mil torcedores cadastrados.

As primeiras estatísticas mostram que 28% das pessoas que usaram o serviço foram a um estádio pela primeira vez; 19% dos compradores são mulheres. Dos usuários, 80% já realizaram mais de duas compras. No caso do estádio do Palmeiras, os maiores usuários do serviço, a média de ocupação do espaço da Visa é de 76%, acima da média geral do estádio, de 54%.

A bandeira não ganha nada pelo serviço, apenas o valor da transação com o cartão. O dinheiro vai para os clubes. Mas segundo Osta, o retorno vem por meio de maior visibilidade da marca e maior fidelização do cliente. A bandeira tem todas as informações das pessoas cadastradas e pode desenvolver estratégias de marketing específicas para grupos de torcedores.

A intenção é levar o modelo para outros estádio brasileiro e para outros países. A Visa é patrocinadora da Copa Santander Libertadores, das próximas duas Copas do Mundo e de todos os jogos da Fifa. O primeiro teste para a internacionalização do projeto ocorreu no mundial de Futsal, realizado em setembro no Rio e Brasília.

A América Latina cresce mais que o resto do mundo nas operações da Visa. Os dados mais recentes da bandeira são do trimestre finalizado em junho, que mostram expansão de 40% na região contra 15% da média mundial. São 328 milhões de plásticos entre os latinos, com volume de pagamento de US$ 50 bilhões. No mundo, são 1,6 bilhão de cartões que fizeram um total de US$ 2,7 trilhões de pagamentos em 29 milhões de estabelecimentos comerciais.

Analistas apóiam a decisão do BC

Sergio Lamucci, de São Paulo

Apesar das críticas ácidas de alguns economistas, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano foi bem recebida por um grupo considerável de analistas. Até a reunião de janeiro, argumentam eles, o Banco Central (BC) terá à disposição mais uma série de indicadores econômicos, o que permitirá um diagnóstico mais preciso da atividade econômica e da inflação.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, diz que havia espaço para um corte da Selic no encontro do Copom de anteontem, mas não considera que o BC tenha errado ao manter os juros. Para ele, é compreensível que o BC queira esperar um pouco mais para ver o impacto da desvalorização do câmbio sobre os preços. "A manutenção da Selic era tecnicamente defensável", afirma Vale, para quem foi interessante a solução adotada no comunicado da decisão, informando que a maior parte dos integrantes do Copom discutiu a possibilidade de redução dos juros já na reunião de anteontem.

Segundo ele, os números sobre a atividade econômica que devem surgir nas próximas semanas tendem a ser "assustadores". Vale estima, por exemplo, que a produção industrial em novembro tenha caído 5,5% em relação ao mesmo mês de 2007. Com isso, o BC deve cortar os juros em 0,25 a 0,5 ponto percentual em janeiro, acredita ele.

O economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, também diz que as condições da economia possibilitavam a redução da Selic já nesta semana, mas avalia, como Vale, que o BC tinha argumentos para não mexer nos juros. O cenário atual, segundo ele, ainda é de muita incerteza, e é defensável aguardar mais informações antes de iniciar um ciclo de afrouxamento monetário.

De qualquer modo, ele acredita que o BC vai baixar a Selic em 0,5 ponto percentual já em janeiro. Até lá, dados como a produção industrial de novembro já terão sido divulgados, provavelmente mostrando um quadro bastante desolador da atividade econômica, diz Salomon. Com uma demanda fraca, fica menor o espaço para as empresas repassarem os aumentos de custos provocados pela alta do dólar. Para completar, a queda dos preços das commodities também deverá aliviar o quadro inflacionário, observa ele.

O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, também não vê motivos para criticar a decisão do BC. Para ele, a instituição deve esperar alguns meses antes de cortar a Selic, para poder analisar melhor qual força vai prevalecer sobre os preços - se o enfraquecimento da demanda ou o impacto da desvalorização do câmbio. No primeiro trimestre de 2009, o efeito baixista produzido pela queda das commodities deverá perder força, e será possível ver mais claramente como ficará o balanço entre a atividade em desaceleração e o dólar em alta, avalia Romão. Para ele, é possível que o BC corte os juros no começo do segundo trimestre.

O ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander, considera que o BC deveria até mesmo aumentar os juros, por conta do efeito do câmbio desvalorizado sobre a inflação. Para ele, no começo do ano deverá haver repasses da alta do dólar para os preços, mesmo num ambiente de demanda mais fraca. Schwartsman avalia que elevar os juros, ou pelo menos mantê-los por um bom tempo, é importante para que as expectativas de inflação não saiam do controle - um dos pilares do regime de metas inflacionárias.

Juro alto só piora situação, diz economista

Vera Saavedra Durão, do Rio

A economista Maria da Conceição Tavares, uma referência no país, disse ontem, ao comentar o congelamento da Selic, que não esperava outra coisa do Comitê de Política Monetária (Copom). "Eles fazem o que eles querem, eles são ortodoxos", disse acendendo a polêmica. Ela se mostrou surpresa com a defesa da queda do juro feita pela economista Eliane Cardoso ontem, em artigo no Valor. "Devo admitir que concordo com ela que a Selic deve começar a cair, mesmo que seja devagarinho".

A seu ver, a atitude do Copom em insistir em congelar a Selic só piora a situação da economia brasileira. "Ter juro de longo prazo menor que juro de curto prazo não melhora o custo da produção corrente, nem as condições da economia, que está desacelerando neste trimestre. E só faz manter o custo da dívida pública alto."

Não há mais justificativa para manter o juro alto no Brasil. A inflação, segundo Conceição, não é mais ameaça, a demanda está desaquecendo e o balanço de pagamentos já não obedece mais a taxa de juro e o mesmo acontece com com a conta de capital. "Hoje tem fuga de capitais no país, por isso o BC quer usar as reservas."

Fábio Silveira, da RC Consultores, prevê que as taxas de inflação tendem a ser baixas no início de 2009 em função da queda das commodities e defende que este é o momento de começar a reduzir juros sob risco de o país resvalar para uma recessão.

Conceição discorda que o Brasil vá ter recessão. Mas acha melhor aguardar o comportamento da economia nos próximos seis meses. A economista trabalha com uma taxa de crescimento da economia este ano de 3%, ancorados nos investimentos garantidos pelos bancos públicos. Já o consumo é mais difícil prever, pois depende de emprego e renda.

Elson Telles, economista-chefe da Concórdia Corretora, ancorado no comunicado que o Copom divulgou após a reunião de quarta-feira, onde informou que a redução na taxa de juro foi discutida pela maioria dos seus membros, cogita que a Selic possa vir a cair no primeiro trimestre de 2009. "Essa mudança no discurso do Copom certamente sinaliza para um viés de baixa na taxa básica de juros para o início do próximo ano, se as condições que nortearão o cenário prospectivo para a inflação assim o permitirem". Para ele, a piora nas perspectivas para o crescimento econômico global e doméstico e as novas quedas nos preços de commodities podem atuar mitigando eventuais pressões inflacionárias decorrentes da taxa de câmbio mais depreciada e das expectativas de inflação mais elevadas.

Sergio Vale, economista-chefe da MBAssociados, tem posição semelhante à de Teles. Para ele, o tom da declaração do Copom já deixou espaço aberto para cair os juros na próxima reunião. "Ao manter o juro eles quiseram preservar os ganhos com inflação baixa, num contexto em que a incerteza por conta do câmbio é grande. Mas, como a palavra do momento é incerteza, nessas horas é melhor esperar para ver o que vai acontecer mesmo. Eu diria que até janeiro o Banco Central já terá informações sobre o impacto do câmbio na inflação e terá uma percepção de que a atividade estará muito fraca. Na nossa percepção será o momento para começar a cair a Selic."

Market Outlook 12/12/2008

Market Outlook

Textos de redações do Enem 2008

01) "o problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."
(Percussão essa que tem Carlinhos Brown na ponta!)

02) "A amazônia é explorada de forma piedosa."
(É?)

03) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta."
(Eu quero me unir separado, tem como?)

04) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."
(e na velocidade ciiiiiinnnncooooo!!)

05) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."
(Ha é, isso é!)

06) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação."
(porque pleonasmo pouco é bobagem, tem que ter uma hiperbole no meio.)

07) "Espero que o desmatamento seja instinto."
(Eu espero que não!!!!)

08) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo."
(é mínimo que se pode fazer por um animal extinto é dar um ar limpo para ele dar uma...!)

09) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."
(Esse deveria ser o tema do Emo day 2009)

10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores
renováveis."
(100.000 milhões de espermatozóides e esse que passou)

11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas."*
(Ainda bem que eles ainda tem a respirada)

12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."
(eu não preciso, lalalá, eu não preciso....lalala)

13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza."
(Mas mantém as renovaveis =p)

14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica."
(E a principal vitima do Enem é o portugues)

15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável."
(É verdade, mas eu lastimo, hááá eu lastimo muito)

16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias.."
(É mesmo, peguem só essas malditas árvores ativas que não saem da academia)

17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia."
(Medo...o Bush demonstrou fezes no Iraque também e olha só o que deu.....)

18) "Paremos e reflitemos."
(Hã... Dalai Lama ?)

19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas."
(Tira crachá onde?)

20) "Retirada claudestina de árvores."
(Meu DEUS*****)

21) "Temos que criar leis legais contra isso."
(É, porque de Leis ilegais o Brasil está farto!)

22) "A camada de ozonel."
(É aquela que cobre o Donut?)

23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor."
(Ou seja, a galera do Zorra Total!)

24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração."
(Genesis capitulo....)

25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável."
(Esse é o famoso "redação com 30 linhas")

26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação."
(Grita você, eu tenho vergonha!)

27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises."
(Depois você econtra a hipotenusa)

28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes."
(Fiquei imaginado a cena...juro!)

29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório."
(tadinhos....)

30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."
(subindo!)

31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc."
(Os elefantes e tigres estão mesmo extintos)

32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem."
(e também com a ignorância....)

33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis."
(profundo!)

34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia."
(Lula, já avisamos para não ajudar as crianças no Enem)

35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?"
(a fórmula da longevidade?)

36) "A fiscalisação tem que ser preservativa."
(mas de latex que é impermeavel)

37) "Não podem explorar a Amazônia de maneira tão devassaladora."
(É hora de morfar!!!! devastadora + avassaladora= Devassaladora!!)

Don't be Fooled by the Market

Peter Schiff, President and Chief Global Strategist

With the dollar rallying, foreign stocks swooning, and commodity prices plummeting, many have concluded that the trends that I have been championing over the past decade have reversed. However, as is often the case over the short term, market behavior can easily fool the majority of investors. I am convinced that this is just one of those occasions.

For most of this decade, while my investment recommendations were benefitting from the trends I had forecast, critics erroneously suggested that my dire view of the U.S. economy was costing my clients money. More recently, as the U.S. economy has begun to collapse like the house of cards that I always said it was, my investment thesis has not performed as I would have expected. The panic unleashed by the magnitude of America's troubles has caused global stock and currency markets to behave senselessly. For the moment, fundamentals are not driving valuations.

I must confess that when many of the bulls I had been debating for years finally adopted my investment strategy, I was a bit worried that the trades were getting crowed. In hindsight, one can argue that I should have been more concerned that the accelerated fall in the dollar and the rise in commodities in late 2007 and early 2008 had brought in so many short term speculators that reversals were likely. But the fundamentals for the dollar remained so horrendous to me that those concerns could never gain the upper hand.

But with so many dilettante investors (who had jumped belatedly onto the foreign stock and commodity bandwagon in 2006 and 2007) now flushed from the market, the stage is set for huge rallies in both sectors. Since many of these investors were chasing trends they never really understood, they have fled at the first sign of trouble. This is par for the course in bull markets, as corrections are designed to shake loose the weakest players. This particularly includes leveraged speculators, who typically over-extend themselves on the rallies.

Just as they dismissed my economic forecasts for years, my critics are now making the same mistakes with respect to my investment strategy. Their justifications are recycled. Most investment analysts can only see what is happening in the present. As a result, they draw long-term conclusions from short-run events.

However, it should be obvious by now that doing the right thing often means going against the crowd. As this massive recession gets underway it's important to recall just how many people allowed this elephant to sneak up on them. The delusion was shocking, and it still is. What are the chances that these visionaries finally have it right?

There were also those who joined me in warning of a pending economic collapse, but advised investors to remain in cash (usually defined as U.S. dollars). For years, while the dollar tanked and foreign markets soared, these individuals appeared wrong on the economy and wrong on investments. While at the moment they can now claim complete vindication, if they stay in dollars too long, their victory will be hollow. While U.S. Treasuries are set to win the gold, silver and bronze in the 2008 investment Olympics, I do not expect a repeat performance in 2009. This is just another example of short-term movements incorrectly being given long-term significance.

However, most who saw this disaster coming now foresee a deflationary spiral, where the world economy crumbles, commodity and consumer goods prices collapse, and the dollar reigns supreme. This group is just as wrong now as was the Goldilocks crowd with respect to the U.S. economy a few years ago.

Based on the recent poor performance of my investment recommendations, many claim that I had been blinded by arrogance. They said the same in years past about my views on internet stocks, housing, and the U.S. economy. The fact that my conviction has not been shaken by short-term market action or popular sentiment is not a sin of arrogance but of confidence. The difference is crucial. Arrogance is confidence without knowledge. But if you know the facts, and understand the dynamics, then knowledge justifies confidence.

Now, I certainly admit that with the benefit of hindsight, it would have been better to have sold our foreign stocks and sidestepped this correction. However, I do not accept that my failure to do so invalidates my strategy. While I certainly warned that both foreign stocks and commodity prices could correct as the severity of America's economic problems became more evident (and I clearly advised that investors hold some cash reserves and physical gold to profit from such a correction), the only thing I truly missed was the sharp bear market rally in the dollar. This has made the short-term correction in foreign stocks much more severe then I had anticipated.

My take was that U.S. government's response to the crises would be so inflationary and so detrimental to the long-term health of our economy, that it would overwhelm any temporary boost the dollar would get from deleveraging. Here my error was my overestimation of the market's ability to comprehend the long term inflationary effects of a massive expansion of money supply. The irony here is that while the government is acting even more irresponsibly than I had forecast, the dollar has managed to rally in the face of it!

However, the case for foreign stocks has never been better. Not only are valuations at historic lows, but given the recent fall in global interest rates, relative values are more compelling than ever. In the final analysis only time will tell if I am correct, and investors need to study the facts and draw their own conclusions on the best way to apply them. Both the good and the bad news is that I do not believe we will be waiting too much longer for the answer.

Bear market rally in action

Bear market rally in action

We are living consecutive days of gains in the US indices without fundamental reasons. People are buying stocks just believing they are cheap, But are they really cheap? I’m not convinced at all. The big slowdown in housing, the falloff in retail sales and the vertical drop in the LEI (leading economic indicators) are already signalling a deep recession and more troubles for companies ahead.

The company’s fundamentals keep being under pressure and will continue to deteriorate as profit margins get squeezed from higher costs and the inability to pass those costs on through higher pricing. Everyday more companies cut its forecasts and sales. The longer employment numbers persist, the greater the danger that economic activity will contract even further. I suggest that we are under a bear market rally instead a new start of a bull market. The current rally is nothing more than a bear market rally and nothing more. The momentum behind it has been terrible, which is further evidence of more trouble ahead. Be careful with your long positions, the coming days for the economy will be even worse than currently are and we might see a test of a low before a new fundamental and real bull market starts, that's my opinion but only time will tell if I'm right. The markets are now moving just on hopes.

Be careful!!!

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