terça-feira, 1 de julho de 2008

BCE pode acelerar aperto brasileiro

Irá aumentar esta semana o fosso monetário que separa o Federal Reserve (Fed) dos demais bancos centrais do mundo. Para não quebrar instituições financeiras dos EUA, o Fed pratica uma política monetária irresponsável, por meio do oferecimento de um juro real negativo, cujas principais conseqüências são o enfraquecimento do dólar e a estimulação de bolhas especulativas, notadamente a do petróleo. O Banco Central Europeu (BCE) fará a parte que lhe compete depois de amanhã, e promete elevar a taxa da zona do euro em 0,25 ponto, para 4,25%. O BC brasileiro faz a sua parte deste abril, quando iniciou ciclo de aperto monetário para trazer a inflação de volta à meta. De lá para cá, já subiu a Selic em um ponto, de 11,25% para 12,25%. E tudo indica que o Copom não poderá em sua próxima reunião (dia 23) cumprir a sinalização emitida tanto pela última ata quanto pelo Relatório de Inflação de manutenção do ritmo de alta de 0,50 ponto. Poderá acelerar a alta.

Para o economista-chefe da CMA Análises, Luiz Rogê, a elevação dos juros pelo BCE poderá ter como conseqüência mais uma rodada de desvalorização do dólar, fazendo com que se amplie a alta do petróleo (e outras commodities denominadas em dólar). Nessa hipótese, se acentua a "inflação de commodities", "atrapalhando a eficácia do aumento de juros feito pelo BC brasileiro". O economista não descarta aumentos mais vigorosos na taxa Selic ou a "extensão do período de ajuste para além do início de 2009".

Cresce a ala de instituições que, assustada com a deterioração das expectativas e dos índices correntes, defende a aceleração para 0,75 ponto. Ela foi robustecida ontem pela adesão do Bradesco. O banco prevê que a Selic chegue a 14,75% no fim do ano. Não é a visão mais pessimista do mercado. Há gente prevendo 15,25% em dezembro ou no início de 2009. Esta taxa ameaça o crescimento brasileiro. O Focus, que prevê 14,25% para dezembro, ainda está otimista.

As três modalidades de projeção do IPCA do boletim Focus subiram ontem estimulando nova alta dos juros negociados no mercado futuro. O prognóstico para este ano da mediana das cem instituições avançou de 6,08% para 6,30%. As Top 5 já prevêem 6,44%, de 6,16% na semana passada. A estimativa da mediana para 2009 subiu de 4,78% para 4,80%. E para os próximos 12 meses a expectativa piorou de 5,18% para 5,28%. Nos três casos, as projeções já estão acima do centro da meta de 4,5% e, no primeiro, ameaçando furar o teto de 6,5%. As atuais decisões do Copom visam reduzir o prognóstico de 4,80% para 2009 em pelo menos 0,30 ponto. Para tanto, a dose total do aperto poderá atingir 4 pontos percentuais. A relação entre aumento da Selic e efeito sobre o IPCA é desproporcional. Sobre o PIB não é tanto assim. O DI previsto para a próxima virada do ano subiu de 13,36% para 13,38%. A taxa para janeiro de 2010 avançou de 15,06% para 15,14%. Para janeiro de 2011, o CDI passou de 15,26% para 15,41%.

A aceleração da alta da Selic visaria combater os efeitos do choque das commodities sobre o restante da economia. De acordo com o Bradesco, embora parte desse movimento de alta seja conseqüência de preços mais elevados de commodities, há deterioração também relevante dos núcleos de inflação, o que indica uma aceleração da inflação de demanda. "O problema de inflação é maior hoje do que no passado, e um ajuste maior, e mais veloz, dos juros será necessário", diz relatório da instituição. Para o Bradesco, a deterioração da inflação é tripla: os preços de commodities sobem acima das previsões, o repasse desses preços para o varejo está mais intenso do que o usual, por conta do aquecimento da demanda doméstica, e isto causa uma aceleração dos preços não ligados às commodities. A esses fatores se juntam outros já lembrados nos documentos oficiais do BC, como a assimetria crescente entre as expansões verificadas na demanda e na oferta agregadas, a maior facilidade encontrada pelo comércio para repassar os aumentos registrados no atacado, os reajustes salariais maiores que os ganhos de produtividade e as pressões em favor da volta da reindexação geral.

O BC não admite ter sido surpreendido pela dinâmica do processo inflacionário. Exceto o BC, a surpresa foi geral, como prova a arrancada dos juros futuros. No semestre encerrado ontem, o contrato para janeiro de 2010 saltou de 12,81% para 15,14%. A disparada do juro não foi contida pela pesada queda do dólar no período. A moeda, que fechou ontem a R$ 1,5970, caiu nos seis primeiros meses do ano 10,13%. Isso, mais a variação da Selic no período, de 5,4%, dá um rendimento ao capital externo de 16,08%.

Luiz Sérgio Guimarães é repórter de finanças
luiz.guimaraes@valor.com.br

Commodities ajudam aos 45 do 2º tempo

No apagar das luzes do primeiro semestre, mais uma vez as commodities contribuíram para melhorar o desempenho acumulado da bolsa, ou melhor, para que ele fosse um pouco menos lastimável. Com a alta das ações de siderurgia, mineração e petróleo, o Índice Bovespa fechou o dia em alta de 1,08%, de volta aos 65 mil pontos, mais especificamente aos 65.017 pontos. Graças a essa valorização, o Ibovespa fechou junho com queda de 10,44%, o pior desempenho em um único mês desde abril de 2004, quando o indicador caiu 11,45%. Naquele momento, o mercado começava a ventilar a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) dar início a um processo de aumento da taxa de juros, que estava em 1% ao ano, para evitar que o crescimento econômico batesse nos índices de inflação do país. No primeiro semestre, o Ibovespa acumulou tímida alta de 1,77%, a léguas de distância das projeções dos analistas que apontam o índice entre 85 mil e 95 mil pontos ainda no fim deste ano.

Entre as maiores altas do índice nos primeiros seis meses do ano estão os papéis de siderurgia e de energia elétrica. Já entre as maiores baixas do indicador no mês passado estão as ações de setores mais ligados ao crescimento interno, como varejo, consumo, alimentos, imobiliário e bancos. O principal motivo dessa baixa é o processo de aumento da taxa Selic para controlar a inflação, que vem se mostrando mais indomável do que se previa. Os analistas acreditam que essas ações devem passar por uma recuperação na segunda metade do ano, a partir do momento em que os primeiros aumentos da Selic começarem a fazer efeito sobre a inflação.

As units (recibos de ações) do Unibanco, por exemplo, caíram 19,37% em junho e as PNs do Itaú, 19,22%, ambos papéis importantes e com altíssima liquidez. As ONs da Lojas Renner se desvalorizaram 21,28% e as PNs da Lojas Americanas, 19,54%.

Os principais papéis do Ibovespa subiram ontem junto com as commodities. O contrato do barril do petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, atingiu US$ 143,67 durante o pregão, um novo recorde, mas cedeu no fim dos negócios, fechando a US$ 140. Com isso, as ações ordinárias (ON, com voto) da Petrobras subiram 2,63%. Outros papéis de commodities seguiram a mesma linha. As preferenciais (PN, sem voto) da Gerdau Metalúrgica subiram 5,05% e as PNs da Gerdau, outros 3,78%. Segundo fontes, as ações das duas companhias se beneficiaram da recomendação de compra dada pelo banco JP Morgan.

Depois de subirem 36,80% na sexta-feira, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs, recibos de ações estrangeiras negociadas na Bovespa) da Agrenco caíram 8,87% no pregão de ontem. Já as ações ONs e PNs da Paranapanema subiram 6,78% e 5,71%, respectivamente, com os rumores de que a companhia estaria sendo comprada pela gigante Vale.

Movimento "puxa cota"

A alta do Ibovespa ontem, descolando dos índices da Bolsa de Nova York - que subiram um pouco -, também pode ser em parte atribuída ao típico movimento dos gestores de fundos de investimentos para tentar puxar o preço das ações para cima com o objetivo de reduzir as perdas das carteiras no semestre. É o bom e velho movimento conhecido como "puxa cota". Resta saber se essa alta se sustenta hoje, com o velocímetro do segundo semestre zerado.


Daniele Camba é repórter de Investimentos

A renda fixa volta ao centro das atenções do mercado

William Eid Junior

É hora de voltar nossos holofotes para a renda fixa. Não, não estou sugerindo mudanças na alocação dos recursos entre renda variável e renda fixa. Proponho que os investidores aproveitem o momento que estamos vivendo para reavaliar suas posições em renda fixa. Nós nos acostumamos a enormes discussões sobre as perspectivas da renda variável. Conversamos constantemente sobre o impacto deste ou daquele evento macroeconômico sobre a bolsa de valores. Conhecemos muito bem os volumes de entrada e saída de capitais estrangeiros nela, e sabemos de cor o resultado dos seus principais indicadores.

Mas, paradoxalmente, é na renda fixa que está a imensa maioria das aplicações dos investidores brasileiros. Se analisarmos a distribuição dos recursos nas diferentes categorias de fundos de investimentos abertos à captação, veremos que 75% deles estão em fundos de renda fixa. Como também temos um grande percentual do patrimônio dos fundos multimercados alocados em renda fixa, não será surpresa se encontrarmos 85% dos recursos dos brasileiros em fundos de renda fixa.

Podemos ainda extrapolar esses dados para o conjunto de investimentos financeiros existentes no Brasil e chegar à conclusão similar, incluindo caderneta de poupança e CDBs, por exemplo. E a explicação para essa importância é simples e uniforme para todas as economias: todos os investidores buscam manter um colchão de proteção contra emergências. E esse colchão no Brasil é representado por ativos como fundos de renda fixa, CDBs e títulos do governo.

Mas o esforço dedicado à análise de acompanhamento da renda fixa não é proporcional à sua importância no cenário dos investimentos. Seja porque as taxas de remuneração são muito menores que as apresentadas pela renda variável, seja porque a imprensa dedica muito mais espaço às ações que a títulos de renda fixa ou seja por hábito, raramente o investidor presta atenção às variações nos ganhos da renda fixa. Mas é fundamental que isso seja feito para atingir um bom desempenho da sua carteira de investimentos no longo prazo. E com microscópio.

Nas últimas semanas, as taxas de diversos instrumentos de renda fixa subiram, e muito. Temos hoje CDBs prefixados de instituições de primeira linha com vencimento em 18 meses pagando mais de 14% ao ano. As taxas dos títulos públicos também subiram. Idem com a expectativa de remuneração de alguns fundos. Aqui volto à frase inicial do artigo: é hora de voltar nossos holofotes para a renda fixa. É hora de analisar cuidadosamente os ativos que você tem na carteira e realocá-la buscando maiores ganhos.

Vamos pensar um pouco no CDB pré a 14%. Ele vence em janeiro de 2010. Vamos compará-lo com um título pós-fixado. Para isso precisamos fazer suposições sobre a taxa Selic. Será que ela vai a 14% ao ano nos próximos meses? As instituições consultadas pelo Banco Central indicam uma taxa de 13,50% no fim de 2008 e 12,50% no fim de 2009. Então há uma oportunidade interessante nesse CDB. Claro, há o risco de a Selic subir muito mais, mas convenhamos que é um risco moderado.

Mas mesmo que você considere esse risco maior, por que não montar uma estratégia de diversificação da sua carteira de renda fixa, pensando em alocar em diferentes riscos? Um pouco de prefixado, um pouco de pós-fixado e um pouco de risco de crédito. Diversificar na renda fixa buscando melhores resultados. Essa é a questão. E não é difícil com os diferentes instrumentos que temos à nossa disposição no mercado. Fundos de investimentos são um bom veículo, já que apresentam diferentes estratégias. Mas os CDBs, Tesouro Direto e, por que não, a caderneta de poupança, podem sim ser instrumentos dessa diversificação.

Por que não procurar outros títulos, como Letras Hipotecárias? Isentas de IR e com remuneração muitas vezes maior que os CDBs. Muito trabalho para um ganho pequeno? Lembre que, no longo prazo, essas pequenas diferenças vão se tornar grandes. Um por cento ao ano ao longo de 20 anos vai resultar num acréscimo de 20% no seu patrimônio! Pense nisso: se você acompanhar a sua carteira de renda fixa com atenção e constância, buscando as melhores alternativas, exatamente como procura fazer com a parcela de renda variável, certamente terá resultados muito bons. E sucesso no longo prazo!

William Eid Junior é coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV/EAESP

E-mail william.eid@fgv.br

Bem-me-quer, malmequer

Por Luciana Monteiro, de São Paulo

O comportamento da bolsa neste ano parece mais uma brincadeira de bem-me-quer, malmequer: em janeiro, o Ibovespa caiu 6,88%, em fevereiro, subiu 6,72% e, em março, perdeu 3,97%. Já o mês de abril foi de valorização, com o índice subindo 11,32% e, em maio, nova alta, de 6,96%. Em junho, no entanto, o principal indicador da bolsa não resistiu às fortes turbulências do mercado e fechou em queda de 10,44%. Com isso, o Índice Bovespa, que era a única aplicação a superar a inflação medida pelo IGP-M no ano até maio, acumula agora, no primeiro semestre, perda real de 4,73%. Em junho, a maior alta foi do ouro, com 1,72%, devido à volta da incerteza com a economia mundial.

Neste mês, o cenário não é dos mais amistosos para a bolsa, apesar de os economistas também não enxergarem um derrocada. Com a inflação preocupando o mundo todo - inclusive o Brasil -, os bancos centrais têm sido obrigados a elevar a taxa de juros. E a combinação de juros maiores e crescimento menor não é nem um pouco benéfica para o investimento em ações. Por aqui, a expectativa é de nova alta da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada nos dias 22 e 23.

O que se pode esperar para a bolsa é muita volatilidade nos próximos meses, diz André Segadilha, chefe do Departamento de Análise da Prosper Corretora, lembrando que a bolsa brasileira é muito concentrada em commodities, que têm oscilado muito, levando junto o Índice Bovespa. Para se ter idéia, o Índice CRB, que reflete o comportamento das commodities, está em 29% no acumulado do ano, o maior nível no primeiro semestre em 35 anos. "Enquanto isso, as ações de segunda linha ficaram praticamente esquecidas", diz. Um sinal disso é que, no ano, o Índice Valor de pequenas e médias empresas (IVBX-2) cai 2,59% no ano, enquanto o Ibovespa sobe 1,77%. Por isso, Segadilha recomenda aos clientes permanecerem em ações de maior liquidez no curto prazo.

Segundo ele, há muitas dúvidas no cenário internacional e isso se traduz em volatilidade. "Ainda há indefinições quanto ao comportamento do preço do minério, dos alimentos, do petróleo, sem falar na inflação mundial e nos resultados ainda ruins dos bancos por conta da crise nos Estados Unidos", diz o executivo.

A inflação também tem tirado o sono de muitos investidores. Considerando-se o IGP-M, nenhuma aplicação financeira supera a inflação no ano. Em junho, a alta do indicador foi de 1,98% e, no ano, já chega a 6,82%. E a pressão sobre o IGP-M deve continuar. Ontem, a Associação Nacional das Instituições do Mercado (Andima) divulgou uma projeção de 1,38% para o IGP-M no final de julho e de 0,82% para o mês de agosto.

A volatilidade do IGP-M é explicada pelo peso de 60% dos preços no atacado. A coisa melhora um pouco quando se usa como referencial o IPCA, índice oficial do governo que representa uma cesta de consumo das famílias. O resultado de junho do IPCA só sai depois do dia 10 de julho, mas projeções apontam para uma alta de 0,70% no mês passado e de 3,60% no ano. Mas a pesquisa Focus, feita pelo Banco Central, mostrou ontem também que as projeções do mercado para o IPCA deste ano já se aproximam do teto da meta, de 6,5% de inflação. Por conseqüência, o Focus indica também uma tendência de a Selic encerrar o ano em 14,25%. Hoje, o juro básico está em 12,25% ao ano.

A aposta na inflação foi o grande diferencial para os fundos multimercados que conseguiram ir bem em junho, diz Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management. "E, ao que tudo indica, o potencial de surpresas negativas com a inflação é maior que a de positivas", avalia. Para tentar ganhar com a alta de preços, no entanto, o investidor precisa recorrer às Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), atreladas ao IPCA. Os papéis em IGP-M seriam melhores, por conta de o índice estar com variação muito superior ao do IPCA, diz Póvoa. O problema é que, desde maio de 2006, o Tesouro deixou de emitir papéis indexados ao indicador, as Notas do Tesouro Nacional série C (NTN-C).

Olhando para o quadro atual, de pressão inflacionária no mundo, os bancos centrais terão de agir e, com isso, é muito difícil nesse cenário esperar uma recuperação rápida para a bolsa, avalia Póvoa. "Olhando para o 'paciente' (a bolsa), não dá para ser tão otimista", diz. "Por aqui, o Banco Central pode ter de estender o aperto monetário por mais tempo e o quadro para a bolsa não é tão auspicioso."

A queda do mês passado trouxe algumas oportunidades em bolsa, mas a recuperação não deverá ocorrer na velocidade que o mercado quer, avalia Thiago de Castro, sócio do escritório de aconselhamento financeiro Tag Investimentos. "Vamos ter problemas sérios com o mercado internacional e a crise externa", diz.

O que pode trazer algum benefício para o desempenho da bolsa é o petróleo, que continua subindo. Só os papéis da Petrobras representam 15% do Índice Bovespa e, enquanto o indicador caiu 10,44% em junho em termos nominais, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da estatal perderam apenas 1,66%. Os fundos compostos somente por papéis da Petrobras registravam queda de 4,79% até o dia 25 e, no ano, o ganho ainda era de 5,06%. O resultado dos fundos ainda não leva em conta a alta de 3,22% dos papéis ON nos dias 26, 27 e 30.

Já no caso das carteiras de ações ON da Vale, a perda acumulada em junho é de saltar aos olhos: 10,44% até o dia 25 e, no ano, 1,87%. Esses números devem piorar com a queda de 2,18% entre os dias 26 e 30 do mês passado. "No curto prazo, os papéis podem continuar sofrendo com um possível anúncio de aquisição pela mineradora, mas, no longo prazo, são interessantes", diz Rogerio Betti, sócio do escritório de aconselhamento financeiro Beta Advirsors.

Na renda fixa, o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) - referencial para os fundos da categoria - encerrou maio com variação de 0,95% e, no ano, acumula 5,43%. Em termos reais, ao se descontar a inflação medida pelo IGP-M, a queda é de 1,02% no mês passado e, no ano, a perda é de 1,33%. No caso da caderneta de poupança, o retorno nominal em junho foi de 0,62% e, no ano, é de 3,50%. Descontando o IGP-M, entretanto, a perda é de 1,34% no mês e de 3,11% no semestre. A caderneta perde mesmo se o referencial for o IPCA.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Top 15 geek blog sites

Top 15 geek blog sites

May 01, 2007 (Computerworld) Some blogs educate, help people collaborate, spark ideas and just plain expand our thought universe. Others stir emotions and anger us or make us laugh. The editors of Computerworld got together and offered up a list of their favorite blog sites. We pared more than 50 submissions to the top 15 technology blog sites based on breadth of information, newsworthiness, design, frequency of updates and entertainment value.

Sure, the list is subjective, but we think this is one of the best catalogs of blogs that has ever been published. The entries ran the gamut, from serious technology news and reviews to commentary on games and the latest tech gadgets. We included some honorable mentions at the end because the competition was so close.

Of course, not everyone will agree with our selections. If you think a blog site that's not on our list deserved a top 15 spot, share it with us in the comments section.

1) Lifehacker
www.lifehacker.com
Lifehackers' motto says it all: "Don't live to geek, geek to live." This blog offers timesavers of just about every stripe, from Firefox shortcuts to tips from the "Getting things done" faithful.

2) IT Toolbox Blogs
http://blogs.ittoolbox.com
IT Toolbox has a number of "in the trenches" IT pros who talk about technology and management issues. There are specialist blogs dealing with security, databases and project management, among other subjects. It's a versatile site.

3) Valleywag
http://valleywag.com
Bring in the noise, bring in the snark. Valleywag is for those who believe that the tech industry lives or dies by the scuttlebutt pinging around Silicon Valley. And it's amusing for those of us who prefer that the lotus-eaters of Northern California stick with the dishing and tongue-wagging, leaving the rest of us to get the real work done.

4) Kotaku
http://kotaku.com
Kotaku is the snarky, gamer uber-blog. It has everything from reviews and gossip to cheat tips. Just about anything you'll ever need, including which game to buy and how to play it.

5) Danger Room
http://blog.wired.com/defense
Wired's military and defense blog writes about some of the coolest and scariest military technologies -- not to mention scandals, debates and other military news. Lots of video and imagery are included.

6) Gizmodo
http://gizmodo.com
Gizmodo's got the scoop on all the latest toys and cool and wacky inventions -- from high-def TVs and coffee makers to booze belts and USB drives. You've got to love a site that publishes photos of a solar-powered bathing suit. Yeah, they also blog about serious technology news too.

7) O'Reilly Radar
http://radar.oreilly.com
This is where you can read Tim O'Reilly (founder of O'Reilly Publishing) and others discuss networking, programming, open source, intellectual property, politics, Web 2.0 and emerging technology.

8) Techdirt
http://www.techdirt.com
Techdirt is a newsy, "tell it like it is" blog that frequently features debates on the hot issues in the Internet and computer fields. Scandals are a specialty. Simplicity is its hallmark.

9) Groklaw
http://www.groklaw.net
Groklaw's raison d'etre is needling SCO in its long-running legal fights against IBM and Novell, but the discussion sometimes veers toward other issues that involve technology, intellectual property, and government regulations.

10) Hack a Day
http://www.hackaday.com
Want to learn how to add USB to a cheap Linux router? Create a snake robot? How about an XBox 360 laptop? Hack a Day has these basement projects and many more. This site is for the serious techie. At the same time, it's good for a laugh or a new hobby.

11) Engadget
http://www.engadget.com
As Coke is to Pepsi, so Engadget is to Gizmodo. It's all about gear, gossip, techish issues and the occasional rant. It's got great product photos, and the editors have access to pre- and early-release gadgetry. Also, some really funny homemade junk. But we prefer Gizmodo.

12) Feedster
www.feedster.com/feedpapers/Technology
Like drinking from the hose. This Web page brings together blog sites about technology, sports, celebrity gossip, food, personal experiences -- you name it. It also offers a blog search feature that allows you to input words or phrases, and it has a very cool RSS aggregator for news feeds. It also injects some great humor into technology news. An all-around great site.

13) Forever Geek
http://forevergeek.com
Forever Geek is a great site with a myriad blogs on diverse topics, from technology and general interest news to movie and game reviews. Definitely a geek paradise. If you want to learn about the upcoming Iron Man movie or read a review of Photoshop CS3, this is the place to go.

14) Rough Type
www.roughtype.com
Nick Carr -- of "Does IT Matter?" fame -- has a sharp-minded blog that discusses all manner of issues and trends relating to technology. Always an entertaining read, Rough Type often locks horns with companies, people, technologies and policies that rub Carr the wrong way.

15) Smorgasbord
www.smorgasbord.net
Billed as a site for gadget- and game-loving geeks, this blog also serves up articles that cross over into the political and celebrity news of the day. The combination of entertainment value and tech news make Smorgasbord a top contender.

Honorable mentions:

1) The Unofficial Apple Weblog (TUAW)
www.tuaw.com
TUAW offers collection of independent bloggers -- that is independent but not undecided or uninformed. It's a good source for Apple-related news. The only reason it didn't make the top 15 was its singular topic focus.

2) Elliot Back's blog
http://elliottback.com/wp
A self-professed computer scientist, Elliot posts everything from his opinions on why XML sucks, to the Titanic's passenger list and reviews of movies like 300. This site is diverse and well composed, offering great tips on topics such as increasing system performance and blocking spam.

3) Ed Foster's Gripelog
www.gripe2ed.com/scoop
There is a new crop of blogs that highlight poor customer service for consumer electronics, bad UIs and outright rip-offs, but Ed Foster has been doing it longer than anyone else. Check out these recent topics: Defective DRM, tricky warranties on plasma TVs and bad mobile phone service.

4) Gadgetell
www.gadgetell.com
This is a great site if you want to get the latest gadget and game news along with some topical opinion pieces.

5) 4sysops
http://4sysops.com
This is a very useful with well-written tips and how-to's for Windows admins.

Tyson Gay bate recorde dos 100 m, mas com vento ilegal

Tyson Gay bate recorde dos 100 m, mas com vento ilegal

No momento da disputa da prova, velocidade do vento era de 4,1 m/s, mais de 2 m/s acima do permitido

EFE

Gay no momento da chegada, com o tempo

Steve Dipaola/Reuters

Gay no momento da chegada, com o tempo

EUGENE, Estados Unidos - O americano Tyson Gay bateu o recorde dos 100 metros rasos nas seletivas olímpicas dos Estados Unidos, com o tempo de 9s68, mas para isso contou com a ajuda de um vento de 4,1 m/s a favor, o que não é permitido.

Tyson Gay "voou" na seletiva disputada em Eugene (Oregon) e mandou um alerta aos que devem ser seus dois grandes rivais nos Jogos Olímpicos de Pequim, os jamaicanos Usain Bolt, atual recordista mundial da prova, e seu antecessor Asafa Powell.

Até então, a melhor marca mundial em qualquer tipo de condições era a de 9s69, conseguida por Obadele Thompson em abril de 1996 em El Paso (Texas), onde correu com vento de 5 m/s a favor.

"Meu treinador, Jon Drummond, disse que poderia correr em torno de 9s6, portanto, era o que tinha em mente. Meu corpo estava bem para andar rápido", disse Gay, que disse que se preocupou em "ficar tranqüilo e correr muito até a meta".

Tyson Gay, que na semifinal tinha marcado o tempo de 9s85 (com vento de 2,2 m/s a favor), foi seguido no pódio da final dos 100 metros por Walter Dix, que correu em 9s80, e Darvis Patton, que marcou 9s84.

As surpresas da seletiva foram a eliminação de dois campeões olímpicos nos Jogos de Atenas, em 2004: Dwight Phillips, do salto em distância; e Tim Mack, do salto com vara.

Phillips ficou apenas em quarto na final do salto em distância, com um melhor salto de 8m20, e foi superado pelo pouco conhecido Trevell Quinley (8m36), Brian Johnson (8m30) e Miguel Pate (8m22).

Mack acabou em sexto no salto com vara, com a discreta marca de 5m50. O pódio foi formado por Derek Miles (5m80), Jeff Hartwig (5m70) e Brad Walker (5m65), campeão mundial, enquanto o vice-campeão olímpico Toby Stevenson sequer conseguiu marca.

Os Estados Unidos também terão uma grande equipe nos 400 metros com barreiras. O campeão mundial Bershawn Jackson venceu a seletiva com o tempo de 48s17, à frente de Kerron Clement - ouro no Mundial de Osaka no ano passado - que fez 48s36, e de Angelo Taylor - ouro olímpico em Sydney 2000 - que ficou com 48s42.

Oil prices pass $143 a barrel

Monday June 30, 6:38 am ET
By Pablo Gorondi, Associated Press Writer

Oil rises above $143 a barrel on falling dollar, tensions in the Middle East

Oil prices surged above $143 a barrel for the first time ever Monday, as a weaker dollar spurred investors to seek refuge in dollar-denominated oil futures to hedge against inflation.

"The main factors behind the rise today are the U.S. dollar remains fragile and geopolitical tensions, particularly surrounding Iran," said David Moore, a commodity strategist at the Commonwealth Bank of Australia in Sydney. "That's unsettling for the oil market."

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The European Central Bank may raise interest rates at its next meeting on Thursday, a move that would help strengthen the euro against the dollar, Moore said.

Light, sweet crude for August delivery rose $3.46 to $143.67 a barrel in electronic trading on the New York Mercantile Exchange, by midday in Europe.

On Friday, crude futures spiked to a record $142.99 a barrel in New York before closing at $140.21.

In London, Brent crude futures rose $2.87 to $143.18 a barrel on the ICE Futures exchange in London.

Analysts said daily trading volumes for Nymex oil would probably continue last week's trend and stay on the light side, leading to higher volatility during the trading sessions.

"We would not expect liquidity to be much better this week, as it will be a short trading week due to the July 4 weekend," Olivier Jakob of Petromatrix in Switzerland said in a research note.

Worries about tight oil supplies and growing global demand are also major factors in the doubling of oil prices since last year, Moore said.

Traders were digesting reported comments from the commander of Iran's Revolutionary Guards, who warned that if his country is attacked, Tehran would strike back by barraging Israel with missiles. In a report published Saturday in the conservative Jam-e-Jam newspaper, Gen. Mohammad Ali Jafari said that if Iran were provoked, it would also move to control a key oil passageway in the Gulf.

Iran is the world's fourth-largest oil exporter and about 60 percent of the world's oil passes through the strategic Strait of Hormuz.

The report comes after the disclosure of a recent Israeli military exercise over the Mediterranean Sea that was seen as sending a message to Iran to curb its nuclear ambitions.

The dollar has weakened on expectations the Federal Reserve Board won't soon raise interest rates as the U.S. economy struggles with low growth. The Fed left its benchmark rate unchanged last week.

The dollar dipped to 105.15 yen on Monday from 106.12 late Friday, while the euro was slightly higher at $1.5813.

"ECB President Jean-Claude Trichet's hawkish stance (on) inflation" could mean the dollar may be headed for further weakness against the euro "and that's not bearish for oil," said The Schork Report edited by U.S. analyst and trader Stephen Schork.

A falling U.S. stock market has also led investors to seek higher-yielding investments such as oil and other commodities. The Dow Jones industrial average has fallen to its lowest level in nearly two years -- and is down nearly 20 percent since its peak in October.

In other Nymex trading, heating oil futures rose 6.44 cents to $3.9710 a gallon (3.8 liters) while gasoline prices rose 5.08 cents to $3.5520 a gallon. Natural gas futures increased 15.2 cents to $13.35 per 1,000 cubic feet.

O maior choque desde os anos 70

RIBAMAR OLIVEIRA
Ribamar Oliveira, email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

O preço do petróleo em dólar, descontada a inflação americana, já está acima daquele praticado após o segundo choque do petróleo, em 1979. E não há sinal de que os preços possam cair no curto prazo. Ao contrário, o prognóstico feito na semana passada pelo presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), Chakib Khelil, é o de que, neste verão do Hemisfério Norte, o barril fique entre US$ 150 e US$ 170. Na última sexta-feira, bateu em US$ 143.

Pressionados pela demanda crescente dos países emergentes, principalmente China e Índia, os preços reais das commodities agrícolas (milho, soja, trigo, arroz e café, entre outros) não param de subir desde 2006. Mas os especialistas advertem que os preços ainda não retornaram ao nível praticado na década de 1970. Ou seja, é muito provável que continuem em alta, em decorrência também do crescente uso dos óleos vegetais para fins carburantes.

O consumo de óleos vegetais para fins carburantes na União Européia (UE) cresceu 141,5% no período de 2003/04 a 2007/08, segundo estudo feito pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão do governo do Estado de São Paulo. Isso ocorreu por força do compromisso da UE, signatária do Protocolo de Kyoto, em reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2012, com relação aos níveis de 1990.

A elevação dos preços dos minérios é ainda mais vertiginosa do que a dos alimentos, segundo outro estudo do IEA, que comparou os preços das commodities agrícolas com o preço das commodities minerais. O preço do níquel estava 548% mais alto no primeiro semestre de 2007 em relação à média do triênio 1999-2000, enquanto o preço do zinco tinha subido 247%, o dos metais não ferrosos 251%, o do estanho, 162% e o do minério de ferro, 195%.

Não há sinal de mudança nessa trajetória, pois a mineradora australiana Rio Tinto acaba de fechar contrato com a siderúrgica chinesa Baosteel que prevê aumento de 85% para o minério de ferro. Com a siderúrgica japonesa Nippon Steel o aumento acertado foi ainda maior, de 100%.

Esses dados mostram que o mundo está diante do maior choque de preços de commodities desde os anos de 1970. O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que administrou a economia brasileira durante o segundo choque do petróleo, não tem dúvidas sobre isso. Para ele, no entanto, o quadro atual é mais delicado porque tem um componente especulativo que era inimaginável naquela época.

Hoje, disse Delfim em conversa com este colunista, os investidores - principalmente os fundos hedge - estão fazendo pesadas compras nos mercados futuros de commodities, o que ajuda a elevar os preços desses produtos. Essas aplicações são estimuladas pela queda dos juros americanos e pela desvalorização do dólar, que não pára de cair ante as outras moedas. "Naquela época, o que pressionava o preço do petróleo era a demanda e a formação de estoques", lembrou Delfim. "Agora, além do problema do aumento da demanda e dos estoques, há a especulação".

Em recente depoimento no Senado dos Estados Unidos, Michael Masters, administrador do Master Capital Management, um importante fundo hedge, estimou que a demanda dos especuladores aumentou em 848 milhões de barris anuais de petróleo nos últimos cinco anos. Essa quantidade seria quase igual ao acréscimo anual da demanda chinesa. O forte crescimento da demanda não está sendo acompanhado por igual aumento da oferta.

A elevação do preço do petróleo impacta os custos de produção de todos os setores da economia, observou Delfim. Sobem os preços dos alimentos porque aumentam os custos dos fertilizantes e dos transportes. Há uma correlação muito forte entre os preços das commodities agrícolas e os preços do petróleo, principalmente depois que as oleaginosas passaram a ser usadas para fins carburantes.

O resultado desse choque de preços das commodities é o aumento da inflação em quase todos os países do mundo. A inflação da China ficou em 8,5% nos 12 meses terminados em abril. No mesmo período, a inflação da Índia ficou em 7,8%. A Rússia registrou elevação de preços de 15,1% no período de 12 meses até maio. Em maio, o núcleo da inflação no Japão (que exclui os preços de alimentos frescos) registrou alta de 1,5%, maior avanço desde março de 1998. Na Alemanha, os preços ao consumidor subiram 3,3% nos últimos 12 meses, a maior alta desde 1993.

Delfim está convencido de que essas pressões inflacionárias só serão reduzidas com o corte da demanda global. Os bancos centrais de vários países do mundo já promoveram aumento dos juros e outros estão sinalizando nessa direção. "Está caindo a ficha no mundo inteiro", disse o ex-ministro. Mas Delfim acha que o quadro só ficará mais claro com a posse do novo presidente dos Estados Unidos, que definirá o que fazer com a maior economia do planeta.

No caso do Brasil, observou Delfim, é muito provável que o Comitê de Política Monetária do Banco Central aumente o juro em 0,75 ponto porcentual em sua próxima reunião. Essa rodada de elevação dos juros em todo o mundo aponta para a redução do ritmo do crescimento econômico. E, desta vez, tudo indica que os países emergentes não conseguirão se "descolar" das economias centrais.

Sugestões para o semestre

ANDRÉIA GOMES DURÃO
DO JORNAL DO COMMERCIO

Planejar-se financeiramente tornarou-se um verdadeiro desafio para quem quer definir um plano estratégico de investimentos para o próximo semestre. Com o horizonte dos mercados ainda distante de tornar-se claro aos olhos de quem aplica, especialistas divergem em suas opiniões sobre em qual investimento o brasileiro deve apostar suas fichas na segunda metade do ano. As sugestões são muitas, tanto no mercado de renda fixa como no de renda variável. Mas a palavra de ordem é uma só: cautela.

Principalmente no curto prazo, algumas variáveis devem ser consideradas com muita atenção: os segmentos no País com promessa de crescimento, a ameaça de aumento da inflação, se a possibilidade de processo de desaceleração do crescimento econômico, as medidas dos bancos centrais em relação aos juros, entre outras.

Mais do que traçar um planejamento para os últimos meses de 2008, o investidor está passando por uma fase de ajustes, adaptando-se a um cenário de crise americana e inflação, diverso de um período de otimismo, em que assistia tanto o Brasil como o restante do mundo em franco crescimento. "O cenário mudou em relação aos últimos anos", resume André Simões, gestor de fundos da Modal Asset Management.

Por isso mesmo, a primeira sugestão do especialista para os investimentos de longo prazo é: cautela. Além de ter cautela, outra recomendação para quem quiser se aventurar nos produtos da renda variável são os fundos multimercados. Na opinião de Simões, a agilidade deste tipo de fundo permite que se beneficiem em períodos mais conturbados. "Os multimercados podem trocar de posições rapidamente, alcançando o máximo de retorno", acrescenta.

Com a estimativa de aumento da inflação, outra sugestão seriam os fundos atrelados aos índices de preços, como o IGP-M e IPCA. "Com o Banco Central elevando os juros e este ambiente de incertezas, o ideal é que as apostas sejam localizadas, específicas. Investir em Bolsa agora já seria complicado", acredita o gestor da Modal.

Para os mais audaciosos, uma vez escolhido alocar o risco na renda variável, deve-se privilegiar os papéis do mercado doméstico, principalmente daquelas empresas que estejam bem posicionadas para se beneficiar com o ciclo de crescimento do segundo semestre de 2008. "Como este segundo semestre ainda será marcado por forte volatilidade dos mercados, os investidores devem apostar naquelas companhias com demanda reprimida e que por isso mesmo apresentam as maiores perspectivas de crescimento nos próximos meses", comenta o gestor de renda variável Roni Lacerda, da Mercatto Gestão de Recursos.Em sua opinião, os segmentos que mais devem se beneficiar com a expansão do crédito são os setores de tecnologia e automotivo.

Já o sócio da Paraty Investimentos Marco Franklin integra o time daqueles que acreditam haver boas alternativas de negócios para todos os perfis de investidor, inclusive para os mais agressivos que insistem na Bolsa de Valores. Para ele, a falta de definição do mercado internacional continua gerando oportunidades para quem quer montar ou aumentar sua carteira de ações. "Principalmente com a queda deste mês, há ações muito paradas, que se tornam boa opção de compra para quem está decidido a investir seus recursos na renda variável", acredita.

Entre as sugestões do especialista estão principalmente papéis dos segmentos de commodities e siderurgia, como Petrobras, Vale, Gerdau, Usiminas e CSN. Franklin explica que os setores serão beneficiados pelo aumento dos preços e que estes não têm qualquer perspectiva de reversão de tendência.

conservador.Mas, se o investidor é mais conservador, as sugestões de produtos da renda fixa ficam a cargo de se manter nos papéis pré-fixados, que vêm se demonstrando bons resultados com a elevação das taxas de juros. No entanto, ele adverte que este pode não ser um bom momento para entrar nos pré-fixados. "Seria uma fase um pouco arriscada. É preferível esperar o Banco Central trabalhar um pouco mais para ver onde vai dar essa taxa de juros e aí então fazer a opção pelos papéis pré-fixados", ensina.

Se a escolha for pelos pós-fixados, o sócio da Paraty sugere aqueles indexados à inflação, acreditando em uma tendência de alta por pelo menos mais um ou dois anos, em que esta se manteria pelo menos acima da meta. "O importante é estar atento às decisões do Banco Central até o final do ano. E, até lá, o melhor seria evitar os pré-fixados", recomenda.

bancos grandes. Marcelo Pereira, diretor da área de gestão da Tag Investimentos, é mais incisivo. Ele vê grandes diferenças entre os comportamentos dos fundos de renda fixa e os fundos DI, e, neste momento de incertezas, descartaria os fundos de renda fixa e investiria nos DIs. Mas, principalmente, adverte o especialista, não arriscaria suas aplicações em um banco pequeno. "Apostaria em um banco de primeira linha, que saiba gerenciar o aumento do aumento do crédito", explica.

Ao mesmo tempo, ele comenta que, observado os ativos no mercado brasileiro hoje, vê uma Bolsa bem descontada, em função da crise instaurada nos Estados Unidos, de uma inflação com tendência de alta, situação à qual os sucessivos aumentos da taxa de juros pelo Banco Central acrescentam mais expectativas. "Mas a Bolsa não é só o índice e um investidor mais agressivo pode se favorecer dessas sucessivas quedas."

Suas sugestões são as ações da Petrobras, além de papéis de empresas "não-cíclicas", como as do setor de geração de energia elétrica e infra-estrutura. "Sinceramente, eu nem gosto de "Petro", mas, em algum momento, a empresa vai divulgar informações sobre o que está acontecendo depois de todas essas descobertas. E aí os papéis voltarão a ter grande valorização", avalia.

No segmento de fundos, Pereira enfatiza ainda que, para os pequenos e médios investidores, os multimercados e equity hedge são as melhores opções. "O fato é que quem fez suas apostas sabendo muito bem o que quer não tem o que temer. Mas, para quem não tem apetite, o melhor é manter o dinheiro embaixo do colchão", adverte.

O diretor da Daycoval Asset Management Roberto Kropp também acredita na alternativa de investimento para cada tipo de investidor. Aos menos afeitos ao risco, ele indica que se aumente as aplicações em juros, pós-fixados, DI"s. "A alta dos juros está figurando uma grande oportunidade para a renda fixa, e a expectativa é de que os juros continuem subindo, até se estabilizarem em um patamar alto. É difícil que algum outro investimento consiga competir com esses", analisa.

Já aos mais afeitos ao risco, que se propõem a investir na Bolsa, ele chama a atenção para a possibilidade da Bovespa ainda ter espaço para subir sim, prometendo bom retorno para o médio e longo prazo. "Se a turbulência no mercado internacional começar a se acalmar nos próximos dois ou três meses e o quadro da inflação também se tornar mais ameno, a Bolsa se firmará como importante oportunidade para o investidor do longo prazo", afirma.

O Banco Central tinha razão

Ao longo de boa parte de 2007, o Banco Central (BC) reduziu sucessivamente as taxas de juros, por meio das reuniões do Copom. Dando continuidade ao relaxamento monetário que tinha sido iniciado no terceiro trimestre de 2005, o Copom começou 2007 com a Selic em 13,25% e mediante reduções sucessivas diminuiu a taxa até 11,25%. Entretanto, na reunião de outubro, ele interrompeu o movimento e manteve a taxa naquele mesmo nível. Na ocasião, não faltaram críticas à decisão, a ponto de até mesmo uma autoridade de um órgão oficial de pesquisas ter qualificado a mesma como "absurda", em incrível artigo de jornal. Pródigos em adjetivos, os críticos não economizaram qualificações, indo desde a tradicional acusação de que a decisão "atenderia aos interesses dos banqueiros", até a alusão à "insanidade" das autoridades monetárias.

A visão dominante podia ser sintetizada na idéia de que a inflação teria tido um simples "soluço"; as expectativas continuariam muito bem comportadas; o que havia seria apenas um problema localizado nos alimentos; e o BC, ao interromper o ciclo de quedas da Selic, estaria vendo "fantasmas". Tal visão lembra a famosa frase do empresário grego Stelios Haji-Toannou, fundador da companhia aérea Easyjet: "Se você pensa que segurança custa caro, experimente um acidente". Àqueles que costumam se queixar do rigor do BC, não custa lembrar: em 1986, para não ter que arcar com os custos de uma política monetária dura, o Brasil experimentou deixar os juros baixos para ver o que acontecia. A experiência nos custou quase 10 anos de planos fracassados de estabilização. É bom não repetir o exemplo.

A pergunta que não quer calar é: ninguém vai pedir desculpas ao BC? Que fique claro: uma taxa de juros real maior tende a apreciar o câmbio real e isso, a médio prazo, não é bom. Entretanto, a idéia de que o BC via apenas fantasmas é uma fantasia retórica: a ameaça da inflação é algo concreto.

Vamos aos números. Em outubro, quando o BC fez uma pausa no processo de redução dos juros - que acabou depois revertido com o novo ciclo de alta - a inflação acumulada em 12 meses, pelo IPCA, estava em 4,1 %, depois de ter fechado em 3,1 % em 2006. A variável fechou 2007 em 4,5 % e nos 12 meses encerrados no mês em curso o IPCA-15 já está em 5,9 %. Mais ainda: o INPC, que capta o impacto do custo de vida no bolso dos mais pobres, tinha aumentado 2,8 % em 2006; esse aumento alcançou 5,2 % em 2007 e provavelmente até junho ultrapassará 7,0 %.

Os críticos da política monetária erraram de forma ampla, diga-se de passagem. Diziam que o que havia em curso era um soluço, quando o fenômeno de alta da inflação já dura um ano e meio. Alegavam que os alimentos ajudariam a conter a inflação em 2008 e nada disso está ocorrendo. Opinavam que as expectativas eram imunes ao que estava acontecendo com a inflação, mas a mediana da expectativa de inflação para 2009 das instituições "top five" de curto prazo que respondem ao Focus era de 4,0 % no começo do ano e já está em 5,0 %, com viés de alta. Julgavam que o problema estava no índice cheio e não nos núcleos, quando a média dos núcleos por médias aparadas e por exclusão, acumulada em 12 meses, que estava em 3,5 % em meados de 2007, atingiu 4,8 % nos 12 meses encerrados em maio, também com tendência de alta.

Não se quer com isso negar a anomalia histórica representada por uma situação na qual, 14 anos depois de um plano de estabilização bem-sucedido, a taxa de juros nominal no fim do ano seja da ordem de 14 %. Nem, muito menos, negligenciar o perigo de que, se a estratégia de combate à inflação centrada na política monetária, com o gasto público crescendo fortemente, se consolidar, o país colha em conseqüência uma continuidade da apreciação do real e o retorno do sinal vermelho associado ao setor externo, daqui a alguns anos. O que se quer frisar é que:

a) É preciso respeitar mais o Banco Central. Não é possível que algumas autoridades dêem entrevistas insinuando que o grande problema do país é o BC, como se ele fosse um corpo de outra galáxia e não um elemento fundamental do governo do qual tais autoridades formam parte;

b) É preciso reconhecer que o BC acumulou crédito. Ele acertou no atacado - independentemente de, como qualquer instituição composta por seres humanos, ter cometido alguns erros nas dezenas de decisões que lhe coube tomar nos últimos anos - e, desde que a meta de inflação foi fixada em 4,5 %, para o ano de 2005, entregou à sociedade brasileira uma taxa média em quatro anos de 4,9 %, supondo uma taxa de 6,3 % no ano em curso - um grau de acerto que a torna talvez a agência oficial mais eficiente do país, em matéria de rigor no cumprimento das metas de desempenho;

c) Há que se ter noção do que seja o processo histórico. Se hoje os EUA são aclamados como exemplo de política antiinflacionária bem-sucedida é porque Volcker, há 30 anos, jogou as taxas de juros "na Lua", para 20 %. O BC brasileiro não tem a mesma credibilidade que os dos países desenvolvidos, mas certamente o país está melhor do que os EUA em 1979, em matéria de combate à inflação. Daqui a 10 ou 20 anos poderemos ser parecidos nessa matéria com os EUA ou a Europa de hoje e não ter que elevar muito os juros;

d) A coordenação de políticas é fundamental. Se a política fiscal ajudasse mais, as taxas de juros não teriam que subir tanto. Entretanto, se a política fiscal não ajuda, o BC acaba tendo que dar um combate solitário à inflação.

Atacar o BC é um erro. Poderá se converter em um erro muito pior se, como se especula, Meirelles deixar o cargo em 2009 e o ambiente de pressão inflacionária ainda vigorar. Mesmo que seu sucessor seja um técnico competente, um presidente do BC politicamente mais fraco dificilmente teria a força para, se for preciso, conservar uma política monetária austera. Que a oposição ataque o BC, é algo natural. Porém, que ele seja alvo do "fogo amigo", hoje, é incompreensível - e, em 2009, poderá ser um problema grave.


Fabio Giambiagi, economista, co-organizador do livro "Brasil Globalizado" (Editora Campus), escreve mensalmente às segundas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br.
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